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Peru tem mais de 98% das urnas apuradas e eleição segue indefinida

Com mais de 98% de urnas apuradas, apenas 1,3 mil votos separam Roberto Sánchez de Keiko Fujimori no Peru

Peru tem mais de 98% das urnas apuradas e eleição segue indefinida (Foto: REUTERS)
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247 - A eleição presidencial no Peru segue sem definição após o segundo turno realizado no último domingo (7), com uma disputa voto a voto entre a direitista Keiko Fujimori e o candidato de esquerda Roberto Sánchez. Com 98,25% das urnas apuradas até a última atualização, às 8h30 desta sexta-feira (12), Fujimori aparecia à frente com 50,04% dos votos, contra 49,96% de Sánchez, uma vantagem de apenas 1.303 votos.

Em números absolutos, Keiko Fujimori somava 9.036.046 votos, enquanto Roberto Sánchez registrava 9.034.743. A margem estreita mantém o cenário eleitoral em aberto e amplia a expectativa sobre o desfecho de uma das disputas mais acirradas da política peruana recente.

Resultado final pode sair apenas em julho

Segundo autoridades eleitorais do Peru, o resultado oficial da eleição presidencial só deve ser anunciado em julho. A demora ocorre porque, depois da conclusão da contagem de 100% das urnas, o país ainda passará por uma etapa adicional de recontagem em seções eleitorais onde foram identificadas irregularidades.

Esse novo mecanismo deve prolongar o processo eleitoral e manter a atenção sobre eventuais mudanças no quadro final, especialmente diante da diferença mínima entre os dois candidatos.

Quem é Roberto Sánchez

Roberto Sánchez é psicólogo e parlamentar eleito para o Congresso peruano, com mandato entre 2021 e 2026. Ele também foi ministro do Comércio Exterior e Turismo durante o governo do ex-presidente Pedro Castillo, destituído e preso em 2022, condenado por conspirar para cometer rebelião no país.

Sánchez considera a prisão de Castillo política e prometeu, caso eleito, conceder indulto ao ex-presidente. Entre suas principais propostas de campanha estão o combate à pobreza e a nacionalização de recursos naturais do Peru.

O candidato de esquerda tem forte apoio em áreas rurais e no interior do país. Durante boa parte da apuração, permaneceu atrás de Keiko Fujimori, em uma disputa marcada por variações estreitas e grande mobilização de eleitores.

Quem é Keiko Fujimori

Keiko Fujimori é filha do ex-ditador Alberto Fujimori, que governou o Peru entre 1990 e 2000. Ela foi primeira-dama do país entre 1994 e 2000, durante o mandato do pai.

Alberto Fujimori deu um autogolpe em 1992, permaneceu no poder por mais oito anos e depois renunciou. Ele foi preso em 2004 e condenado por crimes contra os direitos humanos cometidos durante seu governo. Morreu em 2024 em decorrência de um câncer na língua.

Na campanha, Keiko Fujimori concentrou parte de suas promessas no setor empresarial, defendendo medidas como isenção de impostos e taxas, além de reformas tributária e trabalhista. Ela também prometeu reforçar a segurança pública no Peru, com propostas inspiradas em políticas adotadas por Nayib Bukele em El Salvador.

Disputa mantém Peru em clima de incerteza

A diferença de pouco mais de 1,3 mil votos reforça o grau de polarização da eleição peruana. Com a apuração praticamente concluída, o país ainda aguarda os próximos passos das autoridades eleitorais e a recontagem prevista para seções com irregularidades.

Até a confirmação oficial do resultado, a corrida presidencial entre Keiko Fujimori e Roberto Sánchez permanece indefinida, em um cenário de forte tensão política e expectativa sobre os rumos do Peru.

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