Na ONU, Cuba defende nova governança global e condena ameaça militar dos Estados Unidos
O chanceler cubano Bruno Rodríguez faz importante pronunciamento nas Nações Unidas
247 - Cuba denunciou a ameaça militar dos Estados Unidos e defendeu a reforma da governança global durante reunião do Grupo de Amigos da Governança Global, em Nova York, realizada sob o tema “Reformando e aprimorando a governança global: trabalhando juntos para enfrentar os desafios globais”, informa p Ministério de Relações Exteriores cubano.
A declaração foi feita pelo ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez Parrilla, nesta quinta-feira (28), em encontro convocado pela República Popular da China, com a presença do ministro das Relações Exteriores chinês, Wang Yi, e da vice-secretária-geral das Nações Unidas, Amina Mohammed.
Governança global e defesa do multilateralismo
Em seu pronunciamento, Rodríguez agradeceu à China pela convocação da reunião e afirmou que o fórum demonstrava a permanência de um amplo compromisso internacional com o multilateralismo, o diálogo e a cooperação como instrumentos para enfrentar os desafios contemporâneos.
O chanceler cubano sustentou que, mesmo diante das dificuldades enfrentadas pelas Nações Unidas, a maioria de seus membros continua defendendo uma ordem internacional baseada na solução pacífica de controvérsias e no respeito ao direito internacional.
Segundo Rodríguez, o encontro contrasta com as políticas “extremamente agressivas” do governo dos Estados Unidos. Ele afirmou que Washington desconsidera a ONU, enfraquece o multilateralismo e viola normas e princípios do direito internacional.
“A vasta maioria dos seus membros permanece comprometida com o multilateralismo, o diálogo e a cooperação como o único caminho viável para enfrentar os desafios do nosso tempo”, afirmou o ministro.
Críticas ao bloqueio contra Cuba
Rodríguez afirmou que Cuba enfrenta uma ameaça crescente de agressão direta por parte dos Estados Unidos, o que, segundo ele, viola a Carta da ONU, o Direito Internacional e os princípios da Proclamação da América Latina e do Caribe como Zona de Paz.
O ministro disse que a ameaça do uso da força contra Cuba é agravada pelo bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto ao país. Ele também citou bloqueio energético, equivalente a um bloqueio naval, e a aplicação de medidas econômicas coercitivas contra terceiros países, bancos, empresas e pessoas que mantêm relações com Havana.
“A ameaça do uso da força contra Cuba pela maior potência militar do mundo é agravada pelo sufocante aperto do bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto ao nosso país”, declarou.
Para o chanceler, essas medidas têm impacto devastador sobre a população cubana e equivalem à imposição de uma punição coletiva. Rodríguez afirmou que o objetivo é derrubar o governo cubano e impor mudanças no modelo político, econômico e social escolhido pelo povo do país.
Solidariedade internacional e apelo aos países
O ministro cubano também agradeceu a solidariedade de países representados na reunião. Segundo ele, esse apoio contribuiu para que Cuba enfrentasse carências e dificuldades provocadas pela política dos Estados Unidos.
Rodríguez pediu que os governos presentes se manifestem em defesa dos direitos de seus próprios cidadãos e empresas, em um contexto no qual, segundo sua avaliação, negócios e pessoas de diferentes países também são afetados por medidas de coerção relacionadas a Cuba.
“Apelamos para que levantem suas vozes com determinação para proteger os direitos de seus próprios cidadãos e empresas, contribuam para deter o crime contra a humanidade que está sendo cometido contra o povo cubano e impeçam a agressão militar contra Cuba”, disse.
O chanceler advertiu ainda que a situação enfrentada por Cuba poderia se repetir contra outras nações. “O perigo que paira sobre o meu país hoje pode ameaçar qualquer uma das nações representadas nesta sala amanhã”, afirmou.
Defesa de uma nova ordem internacional
Ao tratar da reforma da governança global, Rodríguez afirmou que a construção de uma comunidade de futuro compartilhado exige ação conjunta contra o unilateralismo, a coerção e a guerra.
O ministro declarou que Cuba continuará defendendo a paz, a justiça, a cooperação internacional, o diálogo respeitoso, a igualdade soberana dos Estados e a não interferência em assuntos internos.
“Cuba, defensora inabalável da paz e da justiça, não vacilará em seu compromisso de reformar e aprimorar a governança global”, afirmou Rodríguez.
Na parte final do pronunciamento, o chanceler cubano defendeu uma ordem internacional “verdadeiramente justa, democrática e equitativa”, sem bloqueios, medidas coercitivas unilaterais, hegemonia ou tentativas de dominação. Segundo ele, essa ordem deve garantir paz e segurança internacionais para todos, com pleno respeito à Carta das Nações Unidas e ao Direito Internacional.



