Cuba e Venezuela reforçam aliança histórica em meio a tensões com os EUA
Chanceleres dos dois países se reúnem na ONU e reafirmam cooperação diante de medidas e ações dos Estados Unidos
247 - Cuba e Venezuela reiteraram nesta segunda-feira (23) a solidez de seus laços históricos de solidariedade durante encontro bilateral realizado em Genebra, no contexto da 61ª sessão do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas. A reunião ocorreu em meio ao aumento das tensões envolvendo os dois países e os Estados Unidos.
Segundo informações divulgadas pela Telesur, os ministros das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, e da Venezuela, Yván Gil, destacaram a disposição política de aprofundar os mecanismos de cooperação existentes e alinhar posições frente aos desafios regionais.
Durante o encontro, os chanceleres ressaltaram a importância de consolidar a articulação entre Havana e Caracas em um cenário internacional marcado por disputas geopolíticas e pressões externas. A conversa serviu para reforçar a convergência diplomática entre os dois governos em temas relacionados à soberania e à cooperação bilateral.
A reafirmação da parceria ocorre após recentes ações dos Estados Unidos contra Cuba e Venezuela. Em 29 de janeiro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma ordem executiva que impõe tarifas adicionais sobre importações provenientes de países que fornecem petróleo a Cuba. A medida foi denunciada por Havana no âmbito da ONU e recebeu críticas do governo venezuelano, que classificou como absurda a caracterização da ilha como ameaça à segurança nacional norte-americana.
Em comunicado divulgado em 30 de janeiro e compartilhado pelo chanceler venezuelano, Caracas afirmou que a decisão unilateral busca limitar ou condicionar a troca de bens e serviços, além de restringir a liberdade dos Estados na escolha soberana de seus parceiros comerciais.
O cenário de tensão também inclui a condenação do ataque militar dos Estados Unidos. Em 3 de janeiro, forças norte-americanas bombardearam Caracas e áreas dos estados de Aragua, Miranda e La Guaira, deixando mais de 100 mortos, entre eles 32 combatentes cubanos, além de um número elevado de feridos. A operação resultou ainda no sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores. Ambos permanecem detidos em uma prisão de segurança máxima em Nova York.
Paralelamente à reunião com o chanceler venezuelano, Bruno Rodríguez encontrou-se com o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres. Após a conversa, o ministro cubano afirmou: "Concordamos sobre a importância de fortalecer a cooperação internacional como solução para os desafios globais atuais e futuros".
Ele acrescentou: "Manifestamos nossa preocupação com a aceleração da reconfiguração geoestratégica global, baseada na doutrina estadunidense de impor a paz pela força, e seu impacto imediato sobre os países do Sul Global e sobre a paz, a segurança e a estabilidade internacionais"
O encontro em Genebra reforça a articulação diplomática entre Cuba e Venezuela em um momento de forte instabilidade regional e de intensificação do embate político com Washington, consolidando uma aliança que ambos os governos classificam como histórica e estratégica no cenário internacional contemporâneo.


