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Claudia Sheinbaum diz que México pode criar ponte aérea para enviar ajuda a Cuba

Presidenta mexicana afirma que voos para a ilha seguem ativos e critica bloqueio energético dos EUA

Claudia Sheinbaum (Foto: Reuters/Henry Romero)

247 - A presidenta do México, Claudia Sheinbaum, afirmou que seu governo poderá abrir uma ponte aérea para enviar ajuda humanitária a Cuba, caso o país caribenho faça essa solicitação formalmente. A declaração foi dada na sexta-feira (13), durante a coletiva de imprensa diária da chefe do Executivo, em meio ao agravamento das restrições impostas pelos Estados Unidos à ilha.

A informação foi divulgada pela agência Prensa Latina, que destacou a possibilidade de ampliação do apoio mexicano a Cuba em um cenário marcado pelo endurecimento do bloqueio norte-americano, especialmente no setor energético.

Ao responder sobre a viabilidade de estabelecer um corredor aéreo de assistência, Sheinbaum foi direta: “Se Cuba o solicitar, essas condições serão atendidas, é claro”, afirmou. A presidente também ressaltou que não houve interrupção nas rotas aéreas entre os dois países e que as aeronaves continuam operando normalmente.Segundo ela, mesmo diante das dificuldades enfrentadas por Cuba, os voos seguem disponíveis e podem contar com infraestrutura mexicana para reabastecimento. “Podem vir ao México (para reabastecer). Aliás, os voos das companhias aéreas mexicanas para Cuba não estão suspensos, porque há combustível de aviação aqui e é muito perto”, declarou.

A fala de Sheinbaum ocorre após o envio de uma grande remessa de suprimentos por via marítima. Na quinta-feira, os navios Papaloapan e Isla Holbox, pertencentes à Marinha Mexicana, chegaram ao território cubano transportando cerca de 814 toneladas de alimentos básicos e itens de higiene. As embarcações partiram no domingo do porto de Veracruz com destino à ilha.O governo mexicano já sinalizou que novas remessas devem ser enviadas assim que os navios retornarem. “Assim que os navios retornarem, enviaremos mais apoio de diferentes tipos”, afirmou Sheinbaum, reiterando sua posição crítica em relação ao bloqueio imposto por Washington. A presidente classificou como injusta a política norte-americana de restrição energética contra Cuba.

O endurecimento das medidas foi impulsionado após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinar uma ordem executiva em 29 de janeiro, declarando uma suposta emergência nacional. O decreto estabelece um processo para aplicar tarifas sobre produtos de países que fornecem petróleo bruto a Cuba, ampliando a pressão econômica sobre a ilha.No México, a ofensiva norte-americana provocou reações políticas e mobilizações de solidariedade. O partido governista Movimento de Regeneração Nacional e organizações como o Coletivo Militante de Solidariedade Vai por Cuba e a Associação de Cubanos Residentes no México convocaram a população a apoiar Cuba por meio do envio de alimentos e outros itens essenciais.

Diversas entidades alertaram que restringir o acesso cubano ao petróleo pode paralisar o país e aprofundar a crise interna. Segundo essas organizações, esse tipo de medida configuraria uma punição coletiva, considerada pelo direito internacional como genocídio e uma das mais graves violações de direitos humanos.

O apoio a Cuba, de acordo com a Prensa Latina, vem se ampliando não apenas no México, mas também em outras regiões do mundo. Parlamentares, movimentos sociais e formações políticas se manifestaram em defesa do país caribenho diante do bloqueio energético imposto pelos Estados Unidos, frequentemente descrito como cruel e anacrônico.

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