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Bolívia tem nova semana de protestos contra Rodrigo Paz

Protestos envolvem bloqueios em rodovias e pressão por renúncia

Trabalhadores realizam manifestação de protesto na Bolívia (Foto: Prensa Latina )
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247 - A Bolívia entrou em uma nova semana de protestos contra o presidente Rodrigo Paz, com bloqueios em rodovias, marchas em La Paz e pressão crescente por renúncia, em meio à greve por tempo indeterminado convocada pela Central Operária Boliviana (COB); as informações são da teleSUR.

As mobilizações, segundo a Telesur, começaram com reivindicações ligadas ao fornecimento de combustível com qualidade certificada, reajustes salariais e revogação da Lei 1720, mas passaram a incorporar exigências políticas, incluindo mudanças nas autoridades governamentais e a saída do presidente Rodrigo Paz.

Crise se espalha por La Paz, El Alto e áreas rurais

Na capital La Paz, sindicatos realizam marchas diárias. Nas áreas rurais, agricultores e motoristas de ônibus interprovinciais lideram bloqueios em importantes rodovias do país. De acordo com o relato original, essas organizações reduziram suas reivindicações a um ponto central: a renúncia de Rodrigo Paz.

A COB reafirmou a continuidade da greve por tempo indeterminado, decisão aprovada em Assembleia Nacional, e convocou federações, sindicatos departamentais e regionais, além da população em geral, para uma jornada de marchas e bloqueios nesta segunda-feira, 11 de maio.

A diretriz sindical aponta a participação de mais de 70 organizações nas ações. A Administradora Boliviana de Carreteras informou no domingo a existência de 15 pontos de bloqueio concentrados em La Paz, especialmente em rotas que ligam a capital a Copacabana, Los Yungas e Oruro.

Em El Alto, também houve manifestações, como na região de Senkata, onde moradores anunciaram novos protestos até alcançar a saída do mandatário.

Bloqueios afetam abastecimento de alimentos

O impacto das mobilizações já aparece no abastecimento. Morales afirmou que “os bloqueios já se fazem sentir com menor provisão de alimentos”, o que levou o governo a anunciar uma ponte aérea para transportar frango e carne bovina em direção ao altiplano.

A escalada das ações ocorre em um ambiente de tensão política e sindical. Além das mobilizações convocadas pela COB, estava prevista para esta segunda-feira uma paralisação de 24 horas dos professores urbanos, enquanto a central sindical orientou a intensificação dos protestos com bloqueios em La Paz e El Alto.

Governo busca diálogo em meio à pressão

Diante da crise, o governo adotou uma estratégia de diálogo com diferentes setores. Nesta segunda-feira, Rodrigo Paz teria reunião com dirigentes sindicais, prefeitos e autoridades do departamento de La Paz em busca de apoio político.

No sábado, o presidente participou de um encontro em Cochabamba com políticos, empresários, dirigentes sociais e autoridades subnacionais. Na ocasião, propôs leis imediatas e uma reforma parcial da Constituição Política do Estado com o objetivo de atrair investimento estrangeiro.

A iniciativa, porém, foi rejeitada por movimentos populares e organizações originárias, em um momento no qual a disputa sobre o papel do Estado na economia se tornou um dos pontos centrais da crise.

Em declarações à Telesur, o analista Hugo Moldiz afirmou que “a atual Constituição aprovada durante o governo de Evo Morales é uma economia plural”, ao reconhecer a coexistência do Estado, da iniciativa privada, das cooperativas e da economia comunitária.

Moldiz avaliou que a proposta do governo busca alterar esse equilíbrio. Segundo ele, “a mudança querem fazer para excluir o Estado como ator fundamental e dar mais espaço à propriedade privada”.

Para o analista, essa orientação deve ser interpretada como parte de um processo de transnacionalização da economia boliviana. Ele também considerou difícil a viabilidade de uma reforma constitucional no atual contexto, ao apontar que existe “uma desnecessária criminalização e desqualificação do campo popular” por parte do governo.

A segunda semana de protestos, bloqueios e greves amplia o desgaste político do governo Rodrigo Paz e mantém a Bolívia em um cenário de instabilidade, com efeitos simultâneos sobre a circulação nas estradas, o abastecimento de alimentos e a relação entre o Executivo e os movimentos sociais.

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