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'Plano Safra pode ter um novo recorde', afirma Dario Durigan

De acordo com o ministro, o governo fecha números e distribuições de funding das linhas do programa

Dario Durigan e agricultura (Foto: Divulgação I Governo federal)
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247 - O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o Plano Safra está na etapa final de elaboração e pode bater novo recorde neste ano, com valores próximos aos do ciclo anterior, que alcançou R$ 593 bilhões no Plano Safra global. A declaração ocorreu em entrevista ao Jota nesta sexta-feira (19). O Plano Safra 2026/2027 tem início em 1º de julho. Os projetos voltados para agricultura empresarial e para agricultura familiar representam R$ 652 bilhões, alta de 10% em comparação com os R$ 594,4 bilhões ofertados pelo governo na safra atual, conforme números divulgados na última quarta-feira (17) pelo jornal O Estado de S.Paulo.

O titular da pasta disse que o governo ainda fecha os números e ajusta a distribuição de funding entre as diferentes linhas do programa. “O Plano Safra vai estar muito próximo do ano passado, possivelmente um novo recorde, a gente está fechando os números. Sem dúvida, o Plano Safra global do ano passado foi R$ 593 bilhões”, declarou Durigan, acrescentando que o Executivo entrou na fase final de montagem do plano.

A definição do Plano Safra concentra atenção do setor produtivo porque o programa organiza as principais linhas de crédito rural do País. O governo ajusta o desenho da política em uma fase marcada por negociações internas sobre recursos, fontes de financiamento e distribuição entre modalidades de crédito.

Tarifas dos EUA

Na entrevista, Durigan também comentou as negociações com os Estados Unidos para tentar barrar possíveis novas tarifas de 25% contra produtos brasileiros. O ministro afirmou que o Ministério da Indústria, Comércio e Serviços lidera a interlocução sobre o tema. Segundo ele, o MDIC mantém a frente das conversas e tem novas reuniões marcadas com Jamieson Greer, Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).

“O tema da discussão bilateral tem ficado com o MDIC. Mas eu estou sempre muito à disposição. Tenho conversado com atores que circulam, que conhecem, que têm essa interface. E, de novo, o Brasil tem razão”, completou.

O ministro voltou a negar qualquer discussão sobre eventual permanência no cargo em caso de um 4º mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O ministro afirmou que não tem pretensão nem debate esse cenário.

Plano Safra 2025/2026

O plano Safra 2025/2026 ampliou a segurança climática no crédito rural ao estender a exigência de observância do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) a mais operações de custeio agrícola, além de incluir novas medidas para sustentabilidade, acesso a insumos, renegociação de dívidas e crédito cafeeiro.

Conforme o governo, as medidas buscam reduzir riscos produtivos, evitar financiamentos fora dos períodos recomendados e estimular práticas agrícolas mais sustentáveis. O pacote também amplia o acesso ao Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé) e mantém desconto nos juros para produtores que adotam ações ambientais.

“O Plano Safra passa a combinar critérios de segurança climática, incentivo ambiental, apoio financeiro e expansão do acesso ao crédito. O novo desenho reforça a tentativa de alinhar produção rural, estabilidade econômica e sustentabilidade no campo”, informou o governo.

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Estatísticas. Foto: Reprodução

Novas regras ampliam uso do Zarc

A partir deste ano, o crédito rural de custeio agrícola passa a exigir que o produtor siga as recomendações do Zarc em um conjunto maior de financiamentos. Antes, a regra atingia operações de até R$ 200 mil feitas por agricultores familiares do Pronaf com enquadramento obrigatório no Proagro.

Agora, o governo estende a exigência a financiamentos acima desse valor e também a contratos sem exigência do Proagro. A mudança busca impedir a liberação de crédito fora das janelas de plantio recomendadas ou em áreas com restrições climáticas, informou a gestão do presidente Lula.

O Zarc funciona como ferramenta de avaliação de risco e orienta produtores, bancos e agentes públicos sobre períodos mais adequados para plantio, conforme município, cultura e condições climáticas. A exceção vale apenas quando não houver zoneamento disponível para a cidade ou para a cultura financiada.

Crédito rural passa a financiar novos insumos

O novo ciclo também flexibiliza o financiamento de insumos usados na produção. As regras autorizam crédito para rações, suplementos e medicamentos comprados até 180 dias antes da formalização da operação.

A medida amplia a margem de organização financeira dos produtores e permite que gastos recentes com itens essenciais entrem no financiamento. Esse ponto pode beneficiar atividades que exigem compra antecipada de insumos para manter a produção em funcionamento.

O crédito de custeio também poderá atender a produção de sementes e mudas de essências florestais, nativas ou exóticas. A inclusão valoriza iniciativas ligadas à preservação ambiental e à recomposição de áreas produtivas ou degradadas.

Sustentabilidade ganha peso no custeio agrícola

As novas regras permitem ainda o financiamento de insumos e tratos culturais voltados ao cultivo de plantas usadas para cobertura e proteção do solo no período de entressafra. O Plano Safra 2025/2026 também oferece crédito para produção de mudas, reflorestamento e culturas de cobertura. Essas ações conectam financiamento rural, modernização produtiva e práticas de menor impacto ambiental.

Produtores que adotarem práticas sustentáveis terão acesso a condições diferenciadas, com juros reduzidos. O governo prorrogou para o período de 1º de julho de 2025 a 30 de junho de 2026 a aplicação do desconto de 0,5 ponto percentual na taxa de juros das operações de crédito rural de custeio.

A medida vale para produtores enquadrados no Pronamp e também para demais produtores que investirem em atividades sustentáveis. O desconto utiliza recursos equalizados e respeita os limites definidos por cada instituição financeira para o ano agrícola.

Funcafé terá acesso ampliado

O Plano Safra também amplia o acesso ao Fundo de Defesa da Economia Cafeeira. A partir de agora, beneficiários do Pronaf e do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) poderão acessar o Funcafé mesmo quando já tiverem contratos ativos pelo Plano Safra.

A mudança aumenta as alternativas de financiamento para o setor cafeeiro e fortalece a capacidade de investimento dos produtores. O Funcafé atua como uma das principais fontes de apoio à cadeia do café, setor estratégico para a economia rural brasileira.

A ampliação do acesso pode dar mais fôlego a agricultores familiares e médios produtores que precisam combinar custeio, investimento e reorganização financeira ao longo do ciclo produtivo. O novo ciclo também traz medidas para facilitar a renegociação de dívidas rurais.

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