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Brasil manterá exportação de carne à Europa, diz ministro da Agricultura

Governo brasileiro afirma que vai negociar com a União Europeia após exclusão do país da lista de exportadores autorizados de carne ao bloco

André de Paula (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)
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247 - O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, afirmou nesta quarta-feira (13) que o Brasil continuará exportando carne para a União Europeia, apesar da decisão do bloco europeu de retirar o país da lista de nações autorizadas a vender proteína animal aos 27 países membros. A medida passará a valer a partir de 3 de setembro.

Segundo informações publicadas pelo jornal O Globo, o governo brasileiro pretende intensificar as negociações diplomáticas e técnicas para reverter a decisão europeia, considerada inesperada por representantes do setor agropecuário e do Executivo federal.

Durante participação em um congresso da Abramilho, em Brasília, André de Paula defendeu a solidez do sistema sanitário brasileiro e afirmou que o país seguirá atuando no mercado europeu.

“O Brasil tem um sistema sólido e robusto de defesa agropecuária. Somos os maiores produtores de proteína animal do mundo. Exportamos para 170 países e estamos há 40 anos na Europa. Vamos seguir exportando para a Europa, fizemos ontem e faremos amanhã”, declarou o ministro.

Governo considera decisão inesperada

O titular da Agricultura também afirmou que as discussões entre Brasil e União Europeia vinham sendo conduzidas em nível técnico e que a decisão anunciada pelo bloco ocorreu antes da conclusão das tratativas.

“Fomos surpreendidos. Foi uma antecipação de uma questão que estava sendo debatida tecnicamente”, afirmou André de Paula.

Ainda nesta quarta-feira, representantes do governo brasileiro se reuniram com o embaixador do Brasil junto à União Europeia para discutir um plano de ação voltado ao cumprimento das novas exigências sanitárias impostas pelos europeus.

Até a entrada em vigor da medida, em setembro, as exportações brasileiras de carne para os países europeus seguem ocorrendo normalmente.

União Europeia exige novas regras sanitárias

Entre os principais pontos levantados pela União Europeia estão regras mais rígidas relacionadas ao uso de antibióticos na produção animal, comprovação sanitária, segregação da cadeia produtiva e rastreabilidade individual dos animais exportados.

As exigências fazem parte de uma política mais rigorosa adotada pelo bloco europeu para importação de produtos agropecuários, especialmente aqueles ligados à proteína animal.

O governo brasileiro avalia que possui capacidade técnica para atender às exigências e pretende apresentar garantias adicionais aos parceiros europeus nas próximas rodadas de negociação.

Europa é mercado estratégico para o agronegócio brasileiro

A União Europeia ocupa posição de destaque entre os destinos da carne brasileira. Dados do Agrosat, sistema vinculado ao Ministério da Agricultura, mostram que o bloco europeu importou US$ 1,8 bilhão em carnes brasileiras em 2025, considerando carne bovina e carne branca.

Com esse volume, a União Europeia aparece como o segundo principal mercado comprador da proteína animal produzida pelo Brasil.

No mesmo período, as exportações totais de carnes brasileiras alcançaram US$ 31,8 bilhões. A China permaneceu como principal destino, com compras de US$ 9,8 bilhões.

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