Zema perde espaço e enfraquece como vice de Flávio Bolsonaro
Aliados do senador avaliam que Romeu Zema enfrenta desgaste político e teria dificuldade para ampliar votos entre moderados, mulheres e nordestinos
247 - O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) perdeu força entre aliados de Flávio Bolsonaro (PL) como possível nome para ocupar a vice na chapa presidencial articulada pelo senador para 2026. Integrantes próximos da pré-campanha avaliam que o mineiro deixou de ser visto como um ativo eleitoral capaz de ampliar a base de apoio do bolsonarismo e passou a representar um risco político.
As informações foram publicadas pela colunista Letícia Casado, do UOL. Segundo interlocutores ligados ao projeto eleitoral de Flávio Bolsonaro, a deterioração da imagem de Zema comprometeu a percepção de que ele poderia ajudar a suavizar o discurso associado à família Bolsonaro, especialmente entre eleitores moderados.
Além disso, aliados apontam que recentes desgastes envolvendo o ex-governador enfraqueceram sua condição de figura conciliadora. A avaliação dentro do grupo político é de que Zema já não consegue ocupar o espaço de político “moderado”, considerado estratégico para a tentativa de Flávio de reduzir a rejeição ao sobrenome Bolsonaro em setores mais amplos do eleitorado.
Fragilidade eleitoral em Minas preocupa aliados
Outro ponto que pesa contra Zema é a leitura de que ele não conseguiria entregar uma vantagem eleitoral significativa em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país. Apesar de ter conquistado a reeleição ao governo estadual em 2022, o Novo não conseguiu eleger deputados federais no estado.
O cenário também é considerado desfavorável porque o atual governador, Mateus Simões (PSD), que era vice de Zema e assumiu o cargo após sua saída, aparece mal posicionado nas pesquisas para a disputa estadual. Paralelamente, levantamentos recentes indicam empate técnico entre Zema e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em simulações de segundo turno em Minas.
Integrantes da campanha de Flávio Bolsonaro fazem comparações com o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), que aparece em posição muito mais confortável eleitoralmente em seu estado. Pesquisa Quaest divulgada recentemente mostrou Caiado com ampla vantagem sobre Lula em Goiás, por 51% a 26%.
Comparação com Caiado amplia resistência
Nos bastidores, a comparação é usada para demonstrar que Zema não teria a mesma capacidade de transferência de votos regionais. A interpretação entre aliados de Flávio Bolsonaro é que, caso o ex-governador mineiro apresentasse desempenho semelhante ao de Caiado em Goiás, sua situação dentro das negociações seria completamente diferente.
A vaga de vice também é vista como estratégica para ampliar o alcance eleitoral da chapa junto a públicos onde Flávio encontra mais resistência, especialmente mulheres e eleitores nordestinos. Nesse contexto, interlocutores consideram que Zema não ajudaria nessa expansão.
O ex-governador ainda enfrenta desgaste por declarações feitas em 2023 consideradas preconceituosas em relação ao Nordeste. A avaliação dentro do grupo bolsonarista é de que o episódio inevitavelmente voltaria ao debate público durante a campanha presidencial.
Declarações recentes aumentam desgaste
Outra controvérsia recente envolvendo Zema também passou a ser vista como fator negativo para uma eventual composição nacional. Aliados de Flávio Bolsonaro consideraram problemática a declaração em que o ex-governador defendeu flexibilizações nas leis relacionadas ao trabalho infantil.
Após a repercussão, Zema rebateu as críticas durante entrevista ao programa Frente a Frente. Mesmo assim, integrantes próximos da pré-campanha avaliam que o desgaste acumulado passou a representar mais um problema político do que uma solução eleitoral.
Apesar das especulações recorrentes sobre uma possível aliança com Flávio Bolsonaro, Zema já afirmou que pretende manter sua candidatura presidencial até o fim e que não tem interesse em disputar a vice-presidência.