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Parada do Orgulho LGBT+ celebra 30 anos com ato por direitos, diversidade e conscientização sobre o voto em São Paulo

Evento na Avenida Paulista reuniu milhares de pessoas, artistas e ativistas em defesa da democracia e da população LGBTQIA+

Parada do Orgulho LGBT+ (Foto: Elaine Cruz/Agência Brasil)
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247 - A 30ª edição da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo transformou a Avenida Paulista em um grande palco de celebração da diversidade, da resistência e da participação política neste domingo. Com fantasias coloridas, performances de drag queens, bandeiras e manifestações em defesa dos direitos da população LGBTQIA+, o evento reuniu milhares de participantes em uma das maiores mobilizações do gênero no mundo.

Segundo informações da Agência Brasil, a edição deste ano teve como tema “30 Anos Parada SP: A rua convoca, a urna confirma”, reforçando a importância do voto e da representação política para a garantia de direitos e a preservação de conquistas históricas da comunidade LGBTQIA+.

Antes mesmo do início das apresentações nos trios elétricos, o público já ocupava a Avenida Paulista em clima de festa. Entre os destaques estavam as drag queens que atraíam filas para fotos e interações com os participantes. Uma das mais procuradas foi DragZonna, que ressaltou o significado político da manifestação.

“A Parada é uma representação importante”, afirmou. “Queremos mostrar nossa resistência e nossa força criativa para esse mundo porque só queremos alegria e colorido. Nosso movimento e nossa existência sempre estão ameaçados e podemos ser pegos de surpresa a qualquer momento para perder nossos direitos.”

A artista também destacou a necessidade de participação política da população. “Sempre estão à espreita e precisamos nos juntar para escolhermos boas pessoas que nos representem bem nesse Congresso e nesse governo”, declarou.

Participação popular e mensagens de respeito

Entre os personagens que chamaram a atenção do público estava a cachorra Mel Radical, conhecida frequentadora da Parada desde 2019. Com óculos, roupa colorida e asas, ela circulava pela Paulista acompanhada da dona, a recepcionista Rafaela Fernandes, de 33 anos.

“Ela vem na Parada desde 2019 porque ela representa amor e toda essa vibração de respeito, independente de sexo ou religião”, disse Rafaela. “Já eu venho na Parada porque quero demonstrar meu respeito por toda essa comunidade LGBTQIA+. Amo as drags, amo os gays. E estas são as pessoas que mais me respeitam mesmo eu não sendo dessa comunidade.”

A recepcionista também relacionou o tema da manifestação às escolhas eleitorais. “Por isso temos que votar com muita consciência e segurança e pensar nisso muito bem porque essas pessoas podem ser muito prejudicadas dependendo em quem a gente votar”, acrescentou.

Artistas e autoridades participaram do evento

A programação contou com 14 trios elétricos e a presença de nomes conhecidos da música e da cultura LGBTQIA+, como Pabllo Vittar, Gloria Groove, Urias, Pepita, Diego Martins, Jup do Bairro, Melody, MC Soffia, Thiago Pantaleão, MC Trans, Zumbicore, Isma e Katy da Voz e As Abusadas.

A ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello, também participou da mobilização, que teve início na Avenida Paulista e seguiu em caminhada até a Praça da República, no centro da capital paulista.

Urna gigante reforçou mensagem sobre democracia

Uma das principais atrações visuais do evento foi uma urna eletrônica gigante chamada “Votinho”, instalada em local de destaque na avenida. O símbolo buscou chamar a atenção para a importância da participação eleitoral e para a relação entre democracia e garantia de direitos.

O tema da edição inspirou muitos participantes a levarem para as ruas não apenas as cores do arco-íris, mas também as cores da bandeira brasileira. Alguns optaram por fantasias ligadas à política para destacar a relevância da representação institucional.

Foi o caso do assistente jurídico Wesley Araújo, de 29 anos, que compareceu ao evento usando terno e faixa presidencial.

“Representar que nós também podemos chegar lá, na presidência”, explicou. Para ele, a escolha dos representantes deve ir além da disputa pelo Executivo. “Temos que pensar não só no presidente, mas em quem estamos elegendo para deputado ou vereadores porque o presidente sozinho não faz nada. A gente precisa pensar nisso tudo.”

Araújo também enfatizou a importância da visibilidade da comunidade. “Estamos na rua para mostrar que nós existimos e resistimos também. A visibilidade é importante para mostrar que não estamos escondidos.”

Defesa dos direitos e preocupação com o futuro

Outro participante que chamou atenção foi o cuidador de idosos Maurício José de Santana, de 61 anos, que compareceu vestindo a camisa da seleção brasileira e carregando uma bandeira nacional.

“Estou aqui hoje para dar visibilidade e para o pessoal ver a importância que é uma militância LGBTQIA+. Vim assim para mostrar que o pessoal LGBT+ gosta de futebol, que amamos o Neymar e amamos a seleção brasileira”, afirmou.

Apesar do clima festivo, Santana demonstrou preocupação com o cenário político e os desafios para a preservação dos direitos conquistados ao longo das últimas décadas.

“Essa Parada pode ser a última da nossa vida, dependendo do que vamos encontrar na eleição que está por vir. É preciso dar resistência e consciência para as pessoas para mostrar que não podemos perder essa luta e essa batalha. Foram 30 anos só de parada e essa é uma conquista imensa”, declarou.

Ele encerrou com um apelo à conscientização eleitoral. “Votem conscientes porque o voto LGBTQIA+ é muito importante porque podemos não ter mais a Parada ou não sermos mais respeitados e termos garantidos os nossos direitos.”

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