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Mulher diz que PM tentou manipulá-la após morte do marido em operação no Morro dos Prazeres

Roberta Hipólito diz que policial pediu que ela culpasse bandidos pela morte de Leandro Souza em operação no Rio Comprido

Ação policial no município do Rio (Foto: Reprodução (Record))

247 - A viúva Roberta Ferro Hipólito denunciou que um policial militar tentou induzi-la a atribuir aos traficantes a responsabilidade pela morte de seu marido, Leandro Silva Souza, durante uma operação policial na cidade do Rio de Janeiro. O caso foi publicado nesta quinta-feira (19) pelo jornal O Globo e ganhou repercussão pela gravidade das acusações feitas pela mulher. A polícia matou o chefe do tráfico do Morro dos Prazeres, Claudio Augusto dos Santos, conhecido como Jiló dos Prazeres, de 55 anos. Mais seis homens apontados como traficantes da facção criminosa Comando Vermelho (CV) foram mortos nesta quarta-feira (18). O Morro dos Prazeres é uma comunidade entre Rio Comprido e Santa Teresa, no Centro da capital. Um morador também morreu.

Na entrevista, Roberta afirmou que os agentes arrombaram a porta da residência com o uso de granada e invadiram o imóvel atirando, momento em que Leandro foi atingido e morreu. Ainda de acordo com a viúva, após a ação, um policial a abordou e tentou interferir em seu depoimento antes mesmo de ela se dirigir à delegacia.

"Quando eu saí (da casa), ele falou assim: 'você tem que ir à delegacia expressar o seu depoimento e falar que o bandido atirou no seu marido'. Eu falei: 'não vou falar, porque não vi bandido atirando no meu marido'", relatou Roberta, ao comparecer ao Instituto Médico-Legal (IML).

A situação de Roberta se agrava à medida que ela enfrenta obstáculos para liberar o corpo do marido. Documentos necessários para o processo desapareceram, e a viúva responsabiliza diretamente os policiais pelo sumiço dos papéis. Sem a documentação, a liberação do corpo — e, consequentemente, o sepultamento — segue impedida.

A dor da viúva extrapolou o luto pela perda do companheiro e se traduziu em indignação pela sequência de reveses burocráticos que, segundo ela, têm impedido até mesmo uma despedida digna. "Nem a dignidade de mandar o corpo para os pais se despedirem a gente está tendo. Não bastava ter levado a vida dele. Até os documentos levaram", disse Roberta.

O caso se soma a um cenário de crescente questionamento sobre a conduta de agentes de segurança em operações policiais nas comunidades do Rio de Janeiro, especialmente diante de relatos de moradores que descrevem abordagens violentas e intimidação de testemunhas. 

A denúncia de Roberta, feita publicamente no IML, aponta para uma tentativa de interferência na coleta de provas logo após a morte de Leandro — o que, se confirmado, configuraria grave violação dos direitos da vítima e de seus familiares.

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