Influenciadores alvos da Operação Narco Fluxo vendiam rifas de casas de R$ 200 mil por R$ 0,19
PF investiga esquema de R$ 1,6 bilhão com lavagem de dinheiro, apostas ilegais e uso de redes sociais
247 - Influenciadores presos na Operação Narco Fluxo, deflagrada pela Polícia Federal nesta quarta-feira (15), promoviam rifas de imóveis avaliados em até R$ 200 mil por apenas R$ 0,19, como parte de um esquema que movimentou cerca de R$ 1,6 bilhão em lavagem de dinheiro e evasão de divisas. A investigação aponta que o grupo utilizava redes sociais para divulgar sorteios, jogos online e prêmios de alto valor como estratégia para atrair participantes. Os relatos foram publicados no jornal Folha de S.Paulo.
As informações foram divulgadas no contexto da operação da Polícia Federal, que resultou na prisão de 33 pessoas. Entre os detidos estão influenciadores digitais e nomes ligados ao entretenimento, suspeitos de integrar uma estrutura que misturava receitas legais com recursos oriundos de atividades ilícitas.
Um dos casos destacados pelos investigadores envolve o influenciador Chrys Dias, que anunciava em seu perfil uma rifa de um apartamento mobiliado avaliado em R$ 200 mil. A participação custava R$ 0,19 e incluía mecanismos semelhantes a “raspadinhas”, com a promessa de prêmios adicionais como veículos, entre eles Toyota Corolla e Volkswagen Golf TSI.
De acordo com a apuração, o grupo estruturava campanhas com imagens de supostos ganhos e links de acesso que circulavam nas redes sociais. Esse modelo buscava ampliar o alcance das ofertas e atrair grande volume de participantes, potencializando a movimentação financeira.
A investigação indica que empresas ligadas ao setor de entretenimento e à produção musical tinham papel central na operação. Essas estruturas funcionavam como base para misturar receitas lícitas com valores provenientes de apostas ilegais, tráfico de drogas e rifas digitais. Os investigadores identificaram o uso da chamada “instrumentalização de pessoas físicas” para dar aparência legal às movimentações.
Entre os presos estão os músicos MC Ryan e MC Poze do Rodo, além de Raphael Sousa Oliveira, proprietário do site Choquei. As autoridades seguem analisando documentos, transações e vínculos empresariais para aprofundar o alcance do esquema e identificar outros envolvidos.


