Governo Lula assina financiamento do túnel Santos-Guarujá, obra histórica do litoral de SP
Acordo entre União e São Paulo viabiliza financiamento da obra e reforça parceria institucional para ampliar infraestrutura no estado
247 - Os governos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do governador Tarcísio de Freitas avançaram na viabilização do túnel imerso entre Santos e Guarujá ao firmarem nesta segunda-feira (13/4) um acordo de financiamento para a obra. As informações foram divulgadas pelo portal UOL. A operação de crédito que viabiliza a contrapartida do Estado de São Paulo na Parceria Público-Privada (PPP) do Túnel Imerso Santos-Guarujá, no valor de R$ 2,57 bilhões, foi estruturada pelo Banco do Brasil e conta com garantia da União.
Durante o anúncio, o vice-presidente Geraldo Alckmin destacou o alinhamento entre os entes federativos e agradeceu ao governador paulista “pela boa parceria”, ressaltando o “espírito republicano” do acordo, que, segundo ele, ocorre “em benefício da sociedade”. Alckmin também relembrou outros projetos em andamento no estado com apoio de recursos federais.
O vice-presidente enfatizou ainda o papel do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), afirmando que a instituição já destinou R$ 13,8 bilhões para iniciativas em São Paulo. Segundo ele, os investimentos têm como foco “ampliar infraestrutura, gerar emprego e atrair investimento”.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, também comentou o acordo e destacou a mudança de postura do governo federal em relação à gestão anterior. Sem citar nominalmente o ex-presidente, afirmou que Lula rompeu com uma lógica que priorizava aliados políticos. De acordo com Durigan, a renegociação das dívidas estaduais foi decisiva para fortalecer a cooperação entre União e estados, independentemente de alinhamentos partidários. “Precisamos deixar bons legados para o povo, repactuações com estados e municípios e agora a obra do túnel Santos-Guarujá”, afirmou.
Apesar do avanço institucional, o tema já foi motivo de tensão. Em março, Lula cobrou publicamente o reconhecimento do governo paulista pela participação federal em obras no estado, especialmente no projeto do túnel. “Eu só queria que o governo estadual reconhecesse: ‘Olha, isso aqui não é só meu, isso aqui é metade meu, metade do Lula’”, declarou o presidente durante evento em Araraquara (SP). Ele acrescentou: “A metade dele [Tarcísio] somos nós que damos também, porque nós financiamos.”
Na ocasião, Lula também fez críticas indiretas ao grupo político ligado ao ex-presidente, sem citar nomes. “Da mesma forma que nós encontramos entre creche, escola, quase 6.000 obras paralisadas, e nós tivemos que fazer também todo um processo de reconstrução e estamos reconstruindo. Eu estou dizendo tudo isso porque agora há sempre o tempo da mentira, do sonho, das bobagens”, concluiu.
O cenário, no entanto, já foi mais harmonioso. No lançamento da obra, em fevereiro do ano passado, Lula e Tarcísio estiveram juntos e mantiveram um tom cordial, evitando embates públicos. No leilão realizado em setembro, o presidente não compareceu ao evento.