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Deolane Bezerra deve ir para penitenciária feminina no interior de SP

Justiça bloqueou R$ 27 milhões da influenciadora em apuração sobre lavagem de dinheiro ligada ao PCC

Deolane Bezerra (Foto: Reprodução (Redes Sociais))
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247 - A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra deve ser transferida para uma penitenciária feminina em Tupi Paulista, no interior de São Paulo, após ser presa em uma investigação sobre lavagem de dinheiro ligada à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). A Justiça bloqueou R$ 27 milhões em nome da influenciadora, valor que investigadores apontam como suspeito de origem não comprovada. Os relatos foram publicados nesta quinta-feira (21) no jornal O Globo

De acordo com o texto enviado, o delegado Edmar Rogério Dias Caparroz afirmou que a polícia ainda não prevê depoimento de Deolane, porque investigadores precisam analisar documentos e equipamentos apreendidos. “São muitos alvos, bastante coisa para ser formalizada. Então nós vamos dar uma analisada primeiro mostrando o material que foi recolhido”, disse.

A investigação afirma que Deolane teria recebido valores da facção por meio de uma transportadora apontada como braço financeiro da cúpula do PCC. A operação também mirou nomes ligados ao alto escalão do grupo, entre eles Marco Herbas Camacho, o Marcola, apontado como chefe da facção. Como ele já está preso, a nova ordem de prisão preventiva será comunicada ao sistema penitenciário.

A Justiça expediu seis mandados de prisão preventiva, além de ordens de busca e apreensão. Entre os alvos aparecem Alejandro Camacho, irmão de Marcola; Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinha dele; Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, também sobrinho; e Everton de Souza, conhecido como “Player”, apontado como operador financeiro da organização.

Deolane passou as últimas semanas em Roma, na Itália, e teve o nome incluído na lista de Difusão Vermelha da Interpol. Ela voltou ao Brasil na quarta-feira, antes de agentes cumprirem mandados em sua casa, em Barueri, e em outros endereços ligados a ela.

A apuração também atingiu o influenciador Giliard Vidal dos Santos, tratado como filho de criação de Deolane, e um contador ligado ao grupo investigado. A polícia investiga uma transportadora de cargas em Presidente Venceslau, no interior paulista, apontada como estrutura controlada pela cúpula do PCC.

Segundo investigadores, Everton “Player” aparecia em mensagens interceptadas orientando a distribuição de recursos da empresa e indicando contas para o envio do dinheiro. Paloma Camacho teria atuado na Espanha em negócios da família, enquanto Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho estaria na Bolívia e teria recebido parte dos valores lavados.

A Justiça também determinou o bloqueio de 39 veículos avaliados em mais de R$ 8 milhões e de R$ 357,5 milhões em ativos financeiros vinculados aos investigados. As apurações começaram em 2019, após a apreensão de bilhetes e manuscritos com presos na Penitenciária II de Presidente Venceslau.

Em 2021, a Operação Lado a Lado apontou movimentações financeiras incompatíveis, crescimento patrimonial sem lastro econômico e uso de empresa para lavagem de dinheiro do PCC. A apreensão do celular de Ciro Cesar Lemos, apontado como operador central do esquema, abriu nova frente sobre conexões financeiras com Deolane.

No aparelho, a polícia encontrou imagens de depósitos destinados a contas de Deolane Bezerra e Everton de Souza. Ciro Cesar Lemos e a esposa seguem foragidos.

O inquérito aponta movimentações incompatíveis com a renda formal declarada pela influenciadora, incluindo valores milionários, recebimentos sem origem esclarecida e compra de bens de alto padrão. Investigadores afirmam que a projeção pública e a atividade empresarial formal criavam “camadas de aparente legalidade” para dificultar a identificação da origem ilícita dos recursos.

Entre 2018 e 2021, Deolane recebeu R$ 1.067.505 em depósitos fracionados abaixo de R$ 10 mil, prática conhecida como “smurfing”. A polícia também aponta quase 50 depósitos em duas empresas ligadas à influenciadora, em um total de R$ 716 mil.

A investigação afirma ainda que não encontrou prestação de serviços jurídicos que justificasse os valores recebidos por Deolane. Para a polícia, as transferências indicam ocultação e dissimulação de recursos ligados ao PCC.

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