Áudio revela íntegra de fala xenofóba de Ed Motta: "retirante filho da p*"
Cantor disse à polícia que ficou chateado com cobrança de rolha e negou ter ofendido funcionário, apesar do [audio revelador
247 - Ed Motta depôs à Polícia Civil do Rio de Janeiro após a confusão em um restaurante da zona Sul da capital fluminense, episódio que envolve a cobrança de uma taxa de rolha, uma cadeira arremessada e uma acusação de injúria por preconceito. As informações são da CNN Brasil.
Segundo a CNN Brasil, o cantor afirmou em depoimento nesta terça-feira (12), na 15ª DP, na Gávea, que se sentiu "chateado e desprestigiado" ao ser cobrado pela taxa no restaurante Grado. O artista negou ter ofendido qualquer funcionário do estabelecimento, embora um empregado tenha relatado à polícia que foi alvo de xenofobia durante a confusão.
A frase apontada no material fornecido como fala xenófoba atribuída ao cantor foi: "É Tijuca contra o nordeste, né. Seu paraíba filha da puta, você tá trabalhando com público. Tenho ódio muito maior que o dele, um retirante que veio lá da casa do caralho. Eu me conheço, to no meu limite. A próxima é eu pular o balcão."
No depoimento, Ed Motta declarou que frequenta o restaurante Grado há cerca de nove anos e que costumava levar suas próprias garrafas de vinho ao local. De acordo com o relato do artista à polícia, ele nunca havia sido cobrado anteriormente pela taxa de rolha.
O cantor afirmou ainda que, na noite da confusão, ele e as pessoas que o acompanhavam levaram aproximadamente sete garrafas de vinho ao restaurante, mas disse que nem todas foram consumidas no estabelecimento. A cobrança da taxa teria sido o ponto inicial do desentendimento.
No termo de declaração, a polícia registrou que, "para surpresa do declarante [Ed Motta], foi cobrada a taxa de rolha; [ele] sentiu-se chateado e desprestigiado com o fato, tendo em vista que isso nunca ocorrera anteriormente".
Após a cobrança, Ed Motta disse ter procurado o gerente do restaurante para questionar a decisão. Segundo o depoimento, o gerente explicou que a taxa havia sido aplicada porque a mesa estava cheia, e não ocupada apenas pelo cantor e por sua esposa, situação em que, de acordo com o relato, a cobrança não ocorreria.
Ainda conforme a versão apresentada por Ed Motta à polícia, ele se irritou, levantou-se da mesa e afirmou: "Nunca mais volto aqui". O cantor declarou que, "sob influência de emoção", pegou uma cadeira e a arremessou no chão, mas sustentou que não teve a intenção de atingir qualquer pessoa.
Imagens citadas pela CNN Brasil mostram o artista se levantando e arremessando uma cadeira durante a discussão. Segundo a reportagem, ninguém foi atingido pela cadeira no momento registrado.
O depoimento também aponta que, depois de arremessar a cadeira, Ed Motta teria esbarrado em uma mesa ocupada por dois casais e derrubado a bolsa de uma das pessoas que estavam no local. Na mesma noite, o cantor enviou mensagens a um dos sócios do restaurante para reclamar do atendimento recebido.
A Polícia Civil também analisa imagens segundo as quais, durante a confusão, um frequentador teria sido atingido por uma garrafada e por um soco. Essa pessoa recebeu atendimento médico e registrou ocorrência. De acordo com o depoimento de Ed Motta, ele só teria tomado conhecimento dessa briga na manhã seguinte.
O caso tem duas frentes de investigação. Em relação à suposta agressão física contra um cliente de uma mesa próxima, Ed Motta é tratado como testemunha. Já no inquérito que apura injúria por preconceito, o cantor aparece como investigado.
A investigação por injúria por preconceito foi aberta depois que um funcionário do restaurante afirmou à polícia que teria sido chamado de “paraíba” durante o episódio. O crime, segundo a reportagem, prevê pena de um a três anos de reclusão.
Ed Motta havia sido intimado a depor na semana anterior, mas informou que estava viajando e não compareceu à delegacia. Ele prestou declaração nesta terça-feira, no âmbito das investigações conduzidas pela 15ª DP, na Gávea.
O episódio ocorreu no dia 2 de maio, em um restaurante no Jardim Botânico, na zona Sul do Rio. Segundo relatos reunidos pelos investigadores, o desentendimento começou entre pessoas da mesa do artista e funcionários do estabelecimento, e depois passou a envolver clientes de uma mesa vizinha.
Em nota, a Polícia Civil do Rio de Janeiro informou que as investigações continuam. A CNN Brasil afirmou que tenta contato com a defesa de Ed Motta e que o espaço permanece aberto para manifestações.


