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Cúpula da Codevasf prestava contas à família de Fernando Bezerra Coelho por WhatsApp, aponta PF

Investigação aponta envio de relatórios informais a grupo político tradicional de Pernambuco

Ex-senador Fernando Bezerra Coelho (Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado)

247 - A Polícia Federal (PF) identificou indícios de que a cúpula da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) em Pernambuco teria atuado sob influência direta da família Coelho, grupo político tradicional no estado. A apuração integra a Operação Vassalos, deflagrada nesta quarta-feira (25), e investiga possíveis irregularidades na aplicação de recursos federais por meio de emendas parlamentares.

Segundo a coluna de Mirelle Pinheiro, no Metrópoles,  o então superintendente da 3ª Superintendência Regional da Codevasf, em Petrolina, Aurivalter Cordeiro Pereira da Silva, mantinha uma relação de subordinação informal com integrantes da família, aos quais enviava mensagens periódicas de prestação de contas pelo aplicativo de mensagens WhatsApp.

Mensagens e prestação de contas por WhatsApp

De acordo com a investigação, antes de assumir o cargo na Codevasf, Aurivalter atuava como assessor parlamentar do ex-senador Fernando Bezerra Coelho. Mesmo após a nomeação, em 2016, ele teria continuado a reportar ações e decisões administrativas ao grupo político.

Conversas analisadas pela PF indicam que o então senador Fernando Bezerra Coelho demonstrou preocupação com a possibilidade de substituição do superintendente. Em diálogo com o general Luiz Eduardo Ramos, à época ministro-chefe da Secretaria de Governo, o parlamentar reclamou da eventual troca. Na resposta atribuída ao ministro consta a frase: “Pernambuco é do senhor, senador”. Para os investigadores, a declaração revela o grau de influência política exercido sobre a estatal.

Emendas parlamentares e contratos sob investigação

A Polícia Federal sustenta que a influência da família Coelho teria sido determinante para o funcionamento de um suposto esquema envolvendo o direcionamento de verbas federais, especialmente emendas parlamentares e termos de execução descentralizada, para projetos previamente escolhidos.

Parte dos recursos, segundo a apuração, teria beneficiado empresas ligadas ao grupo político, em especial a Liga Engenharia, que acumulou mais de R$ 100 milhões em contratos de pavimentação em Petrolina desde 2017.

Os investigadores avaliam que Aurivalter atuava como uma espécie de “longa manus” da família Coelho, alinhando decisões estratégicas da Codevasf a interesses políticos e privados, o que teria facilitado o direcionamento de contratos e a liberação de recursos.

Mandados autorizados pelo STF

A Operação Vassalos apura crimes como organização criminosa, peculato, corrupção, lavagem de dinheiro e fraude em licitações. Por determinação do Supremo Tribunal Federal, foram cumpridos 42 mandados de busca e apreensão em cinco estados e no Distrito Federal.

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