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Governo do DF levanta R$ 1 bi para reforçar o BRB após crise com Master

Gestão do Distrito Federal busca empréstimo de R$ 6,6 bilhões para cobrir perdas ligadas ao Banco Master e evitar agravamento da crise no BRB

Sede do BRB em Brasília - 01/04/2025 (Foto: REUTERS/Adriano Machado)
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247 - O governo do Distrito Federal arrecadou R$ 1 bilhão com a venda de quotas de securitização da dívida ativa ao BTG Pactual para reforçar o capital do Banco de Brasília (BRB), em meio à crise provocada pelas operações envolvendo o Banco Master. As informações foram publicadas originalmente pelo jornal O Globo.

Como controlador do BRB, o governo distrital destinará os recursos diretamente à instituição financeira pública. A operação ocorre em um momento de pressão sobre o banco, que tenta recompor capital após perdas bilionárias associadas à compra de carteiras de crédito do Master.

A securitização permite que créditos tributários ainda não pagos ao governo sejam transformados em ativos vendidos a investidores, que assumem os riscos e os valores a receber futuramente. A medida foi utilizada como alternativa emergencial para reforçar o caixa do BRB.

BRB ainda precisa de recursos bilionários

Apesar do aporte de R$ 1 bilhão, o banco ainda enfrenta dificuldades para equilibrar sua situação financeira. O governo do Distrito Federal e a direção do BRB negociam um empréstimo de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e a bancos privados.

O objetivo é cobrir o rombo provocado pelas operações relacionadas ao Banco Master e garantir que a instituição continue enquadrada nas exigências prudenciais do sistema financeiro nacional.

Na próxima sexta-feira termina o prazo inicialmente apresentado ao Banco Central para que o BRB apresente uma solução definitiva e publique o balanço consolidado de 2025. Nos bastidores, porém, a expectativa é de ampliação desse prazo para permitir a implementação integral do pacote de recuperação.

Banco Central acompanha plano de recuperação

Segundo interlocutores envolvidos nas negociações, aproximadamente 70% do plano apresentado ao Banco Central já teria sido executado. A estratégia inclui medidas para recomposição de liquidez e fortalecimento patrimonial da instituição.

Um dos argumentos apresentados pelo controlador do banco é que o problema imediato de liquidez teria sido reduzido após a venda de ativos do Banco Master para o grupo Quadra Capital. O grupo já realizou um aporte de R$ 1 bilhão, enquanto outros R$ 3 bilhões devem ser injetados até o fim deste mês.

Ainda assim, o BRB calcula que precisará captar ao todo R$ 8,8 bilhões para restabelecer completamente seus indicadores de capital e cumprir as regras regulatórias impostas pelo Banco Central.

Garantias entram no centro das negociações

Sem conseguir o aval da União para viabilizar a operação financeira, o governo distrital e a direção do BRB trabalham para ampliar e melhorar as garantias oferecidas aos credores.

Entre os ativos que podem ser utilizados como garantia estão operações do Credcesta atualmente sob controle do liquidante do Banco Master, além de terrenos públicos cedidos pelo governo do Distrito Federal e parte da dívida ativa local.

A crise teve origem na compra, pelo BRB, de carteiras de crédito do Banco Master avaliadas em R$ 12,2 bilhões. As operações passaram a ser alvo de suspeitas de fraude, levando o banco público a desfazer o negócio posteriormente.

Operação com Master gerou prejuízo bilionário

Embora a transação tenha sido revertida, o BRB não recebeu os valores em dinheiro. Em vez disso, recebeu outros ativos vinculados ao banco controlado pelo empresário Daniel Vorcaro, cuja qualidade também passou a ser questionada no mercado financeiro.

O prejuízo estimado com toda a operação gira em torno de R$ 8 bilhões, segundo as informações divulgadas. A situação elevou a pressão sobre o governo do Distrito Federal, controlador da instituição, e aumentou o monitoramento do Banco Central sobre a saúde financeira do BRB.

A direção do banco intensificou as negociações ao longo desta semana para tentar concluir a contratação do empréstimo bilionário e evitar o agravamento da crise institucional e financeira enfrentada pela instituição pública brasiliense.

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