Petrobras retoma produção de fertilizantes na Bahia e mira 35% da demanda nacional
Fábrica de Fertilizantes da Bahia volta a operar em Camaçari com produção de ureia, investimento de R$ 100 milhões e visita de Lula nesta quinta-feira
247 - A Petrobras detalhou nesta quarta-feira (13), em entrevista coletiva realizada em Salvador, a retomada da produção de fertilizantes na Fábrica de Fertilizantes da Bahia, a Fafen BA, em Camaçari. A unidade voltou a operar com produção de ureia e será visitada nesta quinta-feira (14) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acompanhado da presidente da Petrobras, Magda Chambriard, e de outras autoridades.
As informações foram apresentadas pela empresa durante a coletiva, que contou com a participação de Magda Chambriard e, presencialmente, do gerente executivo de Processamento de Gás Natural da companhia, Wagner Felicio. Segundo a estatal, a retomada da Fafen BA integra o planejamento estratégico da Petrobras para o período de 2026 a 2030 e faz parte da estratégia de ampliar a produção nacional de fertilizantes nitrogenados.
Magda afirmou que a reativação da unidade cumpre um compromisso assumido anteriormente na Bahia, ao lado de Lula. “Em outubro do ano passado eu estive na Bahia com o presidente Lula e lá na Bahia, diante dos baianos, diante do presidente Petrobras e eu próprio, nós assumimos o compromisso de voltar a produzir fertilizantes lá em Camaçari. E amanhã nós vamos estar de volta à Bahia, dizendo para os baianos, olha, promessa é dívida, cumprimos, e a fábrica de fertilizantes da Bahia já está funcionando”, disse.
A presidente da Petrobras ressaltou que a Fafen BA estava hibernada desde 2019. Depois disso, a unidade foi arrendada à iniciativa privada, mas, segundo ela, a operação não se sustentou e a fábrica voltou a ser paralisada em 2023. “Muita gente duvidou que ela ia voltar a operar”, afirmou.
De acordo com Magda, a retomada foi viabilizada pela redução do custo do gás natural, insumo essencial para a fabricação de fertilizantes. Ela afirmou que essa queda não ocorreu por decisão administrativa isolada, mas por aumento de escala e investimentos. “O que baixa o preço do gás natural, o que baixa o preço do fertilizante, é produzir em larga escala com investimentos sólidos e determinação de investimento”, declarou.
A executiva também relacionou a retomada da produção de fertilizantes à ampliação do mercado para o gás natural produzido pela Petrobras em associação com o petróleo. “Nós passamos a ver o setor de fertilizantes como um destino, um mercado natural para o gás natural associado ao petróleo produzido pela Petrobras”, disse.
Segundo Magda, a Fafen BA recebeu cerca de R$ 100 milhões em investimentos e mobilizou aproximadamente 3,6 mil empregos diretos e indiretos para viabilizar a retomada. A produção atual da unidade é estimada em 1,3 mil toneladas de ureia por dia, volume equivalente a cerca de 5% da demanda nacional de fertilizantes nitrogenados.
A presidente da Petrobras destacou a importância da ureia para a agricultura brasileira. “Ureia é hoje o fertilizante nitrogenado mais demandado do Brasil”, afirmou. Ela citou o uso do produto em culturas como milho, cana-de-açúcar, café, trigo e algodão, além da aplicação na pecuária como suplemento alimentar para ruminantes.
A retomada da Fafen BA faz parte de um movimento mais amplo da Petrobras no setor. Magda citou também a reabertura da Fafen Sergipe, da Fafen Ansa e a retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados 3, a UFN3, em Mato Grosso do Sul. A expectativa apresentada pela companhia é que, com as quatro unidades em operação até 2028, a Petrobras consiga atender cerca de 35% da demanda nacional por fertilizantes nitrogenados.
“Antes das nossas fábricas voltarem a operar no Nordeste, o Brasil importava 100% da ureia consumida e isso está mudando agora”, disse Magda. A fala reforça a estratégia da estatal de reduzir a dependência externa em um insumo considerado essencial para o agronegócio brasileiro.
Além dos fertilizantes, a presidente da Petrobras destacou a presença histórica da companhia na Bahia. Ela lembrou que o estado tem papel central na trajetória do petróleo no Brasil, desde a descoberta em Lobato, e afirmou que a empresa mantém investimentos relevantes no território baiano desde sua criação.
Segundo Magda, o plano de negócios da Petrobras prevê US$ 3,5 bilhões em exploração e produção na Bahia nos próximos cinco anos. A projeção inclui mais de 100 poços e intervenções no Recôncavo Baiano, tanto em áreas novas quanto em poços já existentes, com o objetivo de mais do que dobrar a produção de petróleo e gás no estado.
A executiva afirmou que essa frente de exploração e produção deve gerar cerca de 6,5 mil empregos diretos e indiretos. A Petrobras também prevê R$ 115 milhões para a usina de biodiesel de Candeias, além de um edital de aproximadamente R$ 5 milhões voltado a cooperativas de catadores de óleo usado, que poderá ser reaproveitado como insumo na produção de biodiesel.
“Eu estou dizendo isso tudo para dizer para vocês o seguinte, a Petrobras jamais saiu da Bahia. A Bahia é importante para a Petrobras e nós estamos absolutamente felizes de voltar ao Estado, entregando mais fertilizantes, de retomar uma exploração e produção mais agressiva no Estado da Bahia, para entregar o que nós prometemos, mais petróleo, mais gás, mais fertilizantes, mais biocombustíveis”, afirmou Magda.
A visita de Lula à Fafen BA, nesta quinta-feira (14), ocorre em meio à tentativa do governo e da Petrobras de fortalecer a produção nacional de insumos estratégicos. A reativação da fábrica em Camaçari é tratada pela companhia como uma etapa relevante para recompor a capacidade industrial do país no setor de fertilizantes nitrogenados.



