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ChatGPT enfrenta onda de desinstalações após acordo com Defesa dos EUA

Parceria da OpenAI com o Pentágono provoca salto nas desinstalações, queda nos downloads e fortalece o concorrente Claude nas lojas de aplicativos

Sam Altman (Foto: Reuters)

247 - A parceria firmada pela OpenAI com o Departamento de Defesa dos Estados Unidos provocou reação imediata de usuários do ChatGPT. Dados de empresas de inteligência de mercado, divulgados pelo InfoMoney, indicam forte alta nas desinstalações do aplicativo nos Estados Unidos logo após o anúncio do acordo.

Segundo a Sensor Tower, as remoções do app cresceram 295% no sábado, 28 de fevereiro, frente à média diária de cerca de 9% registrada nos 30 dias anteriores. No mesmo dia, os downloads caíram 13% em relação à sexta-feira e recuaram mais 5% no domingo. As avaliações negativas também dispararam: análises com uma estrela avançaram 775% no sábado e mais 100% no domingo, enquanto as de cinco estrelas caíram 50%.

No sentido oposto, o Claude, da Anthropic, registrou aceleração nos downloads. Ainda conforme a Sensor Tower, as instalações cresceram 37% na sexta-feira e 51% no sábado, após a empresa informar que havia recusado parceria com o Departamento de Defesa por discordar dos termos e citar preocupações com vigilância e armas autônomas.

A Appfigures apontou que, pela primeira vez, os downloads diários do Claude nos EUA superaram os do ChatGPT, com alta estimada de 88% em um único dia. O aplicativo alcançou o topo da App Store americana e também liderou o ranking de apps gratuitos para iPhone em países como Canadá, Alemanha e Suíça. Já a Similarweb afirmou que os downloads do Claude na última semana foram cerca de 20 vezes maiores do que em janeiro, embora ressalve que outros fatores podem ter contribuído para o salto.

O CEO da OpenAI, Sam Altman, reconheceu que o processo foi “definitivamente apressado” e que “a percepção não ficou boa”. Ele afirmou ainda que a decisão buscou “desescalar” tensões entre governo e indústria de IA. Em resposta às críticas, a empresa declarou que seus modelos não podem ser usados para vigilância doméstica em massa, armas autônomas ou sistemas de “crédito social”, e que o contrato prevê salvaguardas técnicas e contratuais.