Primeiro-ministro do Canadá diz que G7 já não dirige o mundo
Mark Carney diz que o G7 perdeu a posição dominante e cita peso de países emergentes
247 - O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, afirmou que o G7 já não dirige o mundo e reconheceu que o grupo perdeu a posição dominante que exerceu no passado, em meio ao avanço de países emergentes e à presença de nações convidadas, como Brasil, Índia, Egito e Quênia, na cúpula deste ano.
As informações são da RT Brasil. A declaração foi feita durante uma intervenção no Trinity College de Dublin, na Irlanda, às vésperas da cúpula do G7, realizada de 15 a 17 de junho na cidade francesa de Evian.
Ao comentar o papel atual do bloco na política internacional, Carney afirmou que a reunião deste ano amplia o alcance das discussões ao incluir países que não fazem parte do grupo. Segundo ele, essas nações podem contribuir com “uma perspectiva e um elemento mais amplos para as soluções”.
“O primeiro ponto é reconhecer que o G7, se alguma vez dirigiu o mundo, já não o dirige nem pretende fazê-lo”, declarou o primeiro-ministro canadense.
Participam do G7 Canadá, Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Itália e Japão. A presença de países convidados na cúpula foi citada por Carney como sinal de que os desafios globais exigem maior diversidade de vozes e articulação além das economias tradicionalmente mais influentes do Ocidente.
Novo equilíbrio global
A fala do premiê canadense ocorre em um momento de crescente relevância política e econômica de países emergentes e de blocos alternativos ao G7 e ao G20. O avanço dessas economias tem ampliado o debate sobre a redistribuição de poder no sistema internacional e sobre a capacidade dos fóruns tradicionais de ditar agendas globais.
No início de junho, o vice-chefe da Administração Presidencial da Rússia, Maxim Oreshkin, afirmou que os países do BRICS representam atualmente cerca de 50% do crescimento econômico global. Segundo ele, a contribuição do G7 estaria abaixo de 20%.
Durante o Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo, o SPIEF, Oreshkin disse que os países que antes podiam “impor e estabelecer as diretrizes do desenvolvimento” já não têm essa capacidade.
O representante russo também afirmou que a economia ocidental enfrenta “tremores e febre”, ao mesmo tempo em que avaliou que o potencial econômico da Rússia segue em expansão. Para ele, Moscou deve “aproveitar isso para seguir adiante”.
A declaração de Carney reforça a percepção de que o G7 atravessa uma fase de adaptação diante de uma ordem internacional mais fragmentada, marcada pela ascensão de novos polos econômicos e pela necessidade de ampliar a participação de países fora do núcleo tradicional das potências ocidentais.



