Irã apresenta proposta de paz aos EUA e exige retirada de tropas
Plano iraniano prevê fim das hostilidades, retirada militar americana e compensações por danos da guerra envolvendo EUA e Israel
247 - O governo do Irã apresentou uma nova proposta de acordo de paz aos Estados Unidos que prevê o encerramento das hostilidades em diferentes frentes do conflito no Oriente Médio, incluindo o Líbano, além da retirada de tropas norte-americanas de áreas próximas ao território iraniano. O plano também exige compensações pelos danos provocados pela guerra envolvendo EUA e Israel.
As informações foram divulgadas nesta terça-feira (19) pela mídia estatal iraniana e repercutidas pelo portal SBT News. Segundo a agência iraniana IRNA, Teerã também cobra o levantamento das sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos, a liberação de recursos financeiros congelados e o fim do bloqueio marítimo norte-americano contra o país.
O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, comentou pela primeira vez os termos da nova proposta e reforçou as principais exigências iranianas nas negociações conduzidas com Washington em meio à escalada das tensões regionais.
Trump suspende ofensiva e fala em possibilidade de acordo
A nova iniciativa diplomática surge poucos dias após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitar uma proposta anterior apresentada por Teerã. Na ocasião, Trump classificou o plano iraniano como “lixo”, indicando forte resistência da Casa Branca aos termos defendidos pelo regime iraniano.
Apesar disso, na segunda-feira (18), Trump afirmou que decidiu suspender uma nova rodada de ataques contra o Irã após receber a nova proposta de paz enviada por Teerã. Segundo o presidente norte-americano, existe uma “chance muito boa” de um entendimento relacionado ao programa nuclear iraniano.
A agência Reuters informou que não conseguiu confirmar se havia preparativos concretos para uma nova ofensiva militar, que marcaria uma retomada da guerra iniciada por Trump no fim de fevereiro.
Pressão internacional aumenta por estabilidade no Oriente Médio
Em meio à pressão internacional pela reabertura do Estreito de Ormuz — rota estratégica para o transporte global de petróleo e outras commodities — Trump voltou a defender uma solução diplomática para o conflito. Ao mesmo tempo, o presidente norte-americano manteve o tom de ameaça ao afirmar que novos ataques poderão ocorrer caso Teerã não aceite as condições propostas por Washington.
Nas redes sociais, Trump declarou que líderes do Catar, da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos pediram que ele adiasse uma nova ofensiva militar. Segundo o presidente dos EUA, os aliados acreditam que “um acordo será feito, o que será muito aceitável para os Estados Unidos da América, bem como para todos os países do Oriente Médio e além”.
Durante conversa com jornalistas, Trump reforçou que Washington considera essencial impedir que o Irã desenvolva armas nucleares. “Parece haver uma chance muito boa de que eles possam chegar a um acordo. Se conseguirmos fazer isso sem bombardeá-los, eu ficaria muito feliz”, declarou Trump aos repórteres.
Paquistão atua como intermediário nas negociações
Uma fonte paquistanesa confirmou que Islamabad participou da transmissão de mensagens entre os dois governos desde a rodada de negociações de paz realizada no mês passado. Segundo essa fonte, o Paquistão compartilhou a nova proposta iraniana diretamente com autoridades norte-americanas.
Apesar do avanço diplomático, o cenário ainda é considerado instável. De acordo com a mesma fonte, os objetivos das duas partes seguem mudando constantemente ao longo das conversas.
“Os dois lados continuam mudando seus objetivos”, afirmou a fonte paquistanesa. “Não temos muito tempo.”
