Hezbollah diz que vai manter resistência e operações contra forças israelenses
Em carta a Naim Qassem, os combatentes do Hezbollah promete continuar operações até a saída das forças israelenses do sul do Líbano
247 - Os combatentes do Hezbollah prometeram continuar as operações contra forças israelenses no sul do Líbano até o fim da agressão e ocupação da região. A Declaração foi feita por meio de carta enviada ao secretário-geral do movimento, Sheikh Naim Qassem.
Na mensagem, divulgada pela rede Al Mayadeen, os combatentes da Resistência Islâmica no Líbano afirmam que as ações recentes desarticularam unidades israelenses na fronteira entre o Líbano e a Palestina ocupada, atingiram veículos militares e ampliaram a pressão sobre tropas posicionadas na região.
A carta foi apresentada como uma resposta a uma mensagem anterior de Qassem aos combatentes e comandantes da Resistência Islâmica. No texto, os integrantes do Hezbollah elogiam a liderança do secretário-geral, renovam o juramento de fidelidade ao movimento e afirmam que seguirão atuando contra unidades israelenses invasoras.
Os combatentes dizem ter recebido a mensagem de Qassem como um gesto que “carrega o toque de um pai em seus filhos, de um comandante em seus soldados e de um guia em seus devotos seguidores”. Eles também agradecem ao dirigente por suas palavras e prestam homenagem aos combatentes mortos e à população que, segundo a carta, demonstrou “paciência, firmeza e resiliência”.
Operações na fronteira e ataques contra veículos israelenses
No texto, os combatentes afirmam que a Resistência Islâmica tem realizado ataques diários contra forças israelenses, usando diferentes tipos de armamento. Segundo a mensagem, essas ações atingiram tanques, veículos e posições militares.
“Eles perseguem o inimigo com todos os meios à sua disposição, destroçando seus tanques, incendiando suas máquinas e espalhando medo em suas fileiras”, diz a carta, em tradução do trecho divulgado em inglês.
Os combatentes também afirmam que as operações recentes fizeram as tropas israelenses agirem com maior cautela na fronteira. De acordo com a mensagem, os soldados passaram a observar os céus à espera de ataques com drones e bombardeios, além de temer explosivos e emboscadas em solo.
Na carta, os integrantes do Hezbollah atribuem esse cenário à liderança de Naim Qassem. “Sua liderança corajosa abriu caminho para uma série de operações que exauriram o inimigo, deixando-o temeroso de se estabelecer no solo do sul”, afirma o texto.
Hezbollah renova juramento a Naim Qassem
A mensagem também reforça o compromisso dos combatentes com a continuidade das ações militares. Eles afirmam que não descansarão até que as forças israelenses deixem o sul do Líbano.
“Permanecemos fiéis ao compromisso que fizemos ao senhor: nós o manteremos, e temos mais por vir”, diz a carta. “Não descansaremos nem nos acomodaremos, e nossos olhos não encontrarão sono até que a ocupação parta de nossa terra em derrota e humilhação.”
O texto afirma ainda que o sul do Líbano não aceitará ser libertado senão pelas mãos dos combatentes da Resistência. A mensagem apresenta a luta como parte da defesa da honra, da liberdade, da dignidade e da independência.
“Em nome de cada grão de solo, em nome de cada mártir e de cada combatente em todas as formações da Resistência posicionadas nas linhas de frente, renovamos ao senhor nossa lealdade, nosso juramento e nosso compromisso de continuar neste caminho”, afirmam os combatentes.
Qassem havia prometido resistir às pressões de Israel e dos EUA
A carta dos combatentes foi enviada após uma mensagem anterior de Sheikh Naim Qassem, divulgada em 12 de maio, dirigida aos combatentes e comandantes da Resistência Islâmica. Na ocasião, o secretário-geral do Hezbollah afirmou que o movimento não se renderia às pressões israelenses ou norte-americanas.
Qassem também disse que a resistência transformaria o campo de batalha em um “inferno vivo” contra “Israel” e defendeu a posição política do Hezbollah, incluindo a rejeição a negociações diretas com o Estado israelense.
Ao se dirigir aos combatentes, Qassem destacou o papel de drones, aeronaves não tripuladas e mísseis nas operações. “Seus drones em primeira pessoa abraçam o solo, apertando o cerco contra o ocupante israelense. Suas aeronaves não tripuladas instilam medo nos tiranos e agressores deste mundo. Seus mísseis abalam sua estabilidade, deixando-os ansiosos e psicologicamente perturbados”, escreveu.
Em outro trecho, ele afirmou: “Disseram que vocês estavam acabados e seriam derrotados. No entanto, sua luta forjou um modelo de resiliência que espantou o mundo.”
Baixas e combates no sul do Líbano
A troca de mensagens ocorre após dias de atividade militar da Resistência Islâmica no sul do Líbano e no norte da Palestina ocupada, segundo a Al Mayadeen. O veículo afirma que dezenas de ataques foram realizados contra forças israelenses e que houve perdas crescentes do lado israelense.
De acordo com as informações fornecidas, vários soldados israelenses foram mortos no sul do Líbano em meio aos combates, ao uso de dispositivos explosivos e a ataques com drones. O número total de baixas militares israelenses teria aumentado nas últimas semanas.
O texto também cita dados do Ministério da Saúde de Israel, segundo os quais 8.783 colonos foram internados em hospitais nos territórios ocupados por Israel desde o início da guerra contra o Irã e dos confrontos subsequentes, em 28 de fevereiro, até 19 de maio. Ainda segundo os mesmos dados, 2.953 feridos foram registrados em hospitais no norte da Palestina ocupada desde o início da guerra.



