EUA já gastaram US$ 25 bilhões na guerra no Irã, afirma secretário
Audiência no Congresso expõe custos do conflito e pressões sobre o governo Trump, enquanto prazo constitucional de 60 dias se aproxima
247 - Pela primeira vez desde o início da guerra no Irã, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, compareceu ao Congresso nesta quarta-feira (29) para prestar esclarecimentos sobre o conflito. Durante a audiência, o governo americano informou que os gastos com operações militares no Oriente Médio já somam US$ 25 bilhões.
Segundo reportagem do jornal Folha de S.Paulo, o montante equivale a cerca de R$ 125 bilhões e representa aproximadamente 2,7% do orçamento total do Departamento de Defesa, que teve US$ 901 bilhões autorizados para 2026. A audiência, inicialmente focada na proposta orçamentária para 2027, acabou dominada pelo tema da guerra.
O governo do presidente Donald Trump propôs um orçamento de US$ 1,5 trilhão para o próximo ano, o que representa um aumento de cerca de 40% em relação ao atual. O valor ainda depende de aprovação do Congresso, onde parlamentares demonstraram preocupação com os custos e as justificativas do conflito.
Apesar das cobranças, Hegseth evitou detalhar quanto tempo a guerra deve durar. O conflito completa 60 dias nesta quinta-feira (30), prazo limite previsto na Constituição americana para que o presidente retire as tropas ou solicite autorização formal do Congresso para mantê-las em combate.
Pressão sobre custos e objetivos da guerra
Durante a audiência, o secretário foi questionado sobre os impactos financeiros da operação e sobre até onde o governo está disposto a ir. Em resposta, rebateu os parlamentares com uma pergunta direta: "Quanto vocês estariam dispostos a pagar para garantir que o Irã não tenha uma arma nuclear?"
Hegseth também se recusou a responder se aconselhou Trump a iniciar os ataques. A postura evasiva gerou tensão no plenário, especialmente diante da ausência de explicações claras sobre os objetivos estratégicos da guerra.
Outro ponto sensível foi o ataque a uma escola de meninas em Minab, no sul do Irã, ocorrido no início do conflito e que deixou ao menos 150 vítimas. Embora investigações preliminares do Pentágono indiquem responsabilidade americana, o secretário afirmou que o caso ainda está sob análise.
Críticas de parlamentares democratas
O deputado democrata Adam Smith criticou a falta de posicionamento oficial sobre o episódio. Segundo ele, "não há qualquer dúvida do que aconteceu: cometemos um erro e isso acontece em guerra". Ele acrescentou: "Mesmo assim, dois meses depois disso ter acontecido, nós nos recusamos a falar disso dando a impressão ao resto do mundo que nós não nos importamos e deveríamos nos importar".
Em outro momento, o deputado John Garamendi acusou o governo de inconsistência nas justificativas para o conflito. "Vocês têm mentido para o povo americano desde o primeiro dia", afirmou, chamando a condução da guerra de "incompetente".
Já o deputado Salud Carbajal adotou tom irônico ao mencionar semelhanças pessoais com Hegseth, como o gosto pelo filme Pulp Fiction. "Mas, eu sei que o filme não é uma cópia fiel da Bíblia. Você sabe do que eu estou falando", disse, em referência a uma recente declaração do secretário.
Religião e declarações polêmicas
A fala de Carbajal remete a um episódio recente em que Hegseth recitou uma adaptação de um trecho bíblico fictício durante uma oração no Pentágono, inspirado no filme dirigido por Quentin Tarantino. O secretário afirmou que recebeu o texto de um oficial envolvido em uma missão de resgate no Irã.
Cristão declarado, Hegseth tem incorporado referências religiosas em seus discursos. Durante o conflito, chegou a comparar o resgate de um militar americano — cujo caça foi abatido no Irã no Domingo de Páscoa — à ressurreição de Jesus Cristo.
Ele também pediu que a população americana rezasse de joelhos pelas tropas envolvidas na guerra, reforçando o tom simbólico e religioso adotado em meio à escalada do conflito.