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Trump ataca o papa e abre crise com a Itália

Aliada do presidente dos EUA, Giorgia Meloni emite nota em defesa do papa, mas poupa Trump. Oposição pressiona a primeira-ministra

Giorgia Meloni e Donald Trump (Foto: EVELYN HOCKSTEIN/REUTERS)

247 - Políticos e setores da Igreja na Itália manifestaram apoio ao papa Leão XIV após os ataques feitos pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao pontífice. As declarações ofensivas do mandatário provocaram repercussão imediata em Roma e colocaram a primeira-ministra Giorgia Meloni diante de um cenário delicado, diante de sua proximidade com o governo estadunidense de extrema-direita e da relevância do Vaticano no país. As informações são da agência Reuters.

Em publicação nas redes sociais, Trump classificou o papa como "terrível" e "fraco", além de criticar suas posições sobre as agressões dos EUA e de Israel no Oriente Médio. Em resposta, Leão XIV afirmou que não teme o governo dos Estados Unidos e indicou que continuará defendendo pautas ligadas à paz, incluindo críticas à guerra envolvendo o Irã e à política migratória.

Meloni divulgou nota em apoio ao papa, destacando o papel do líder religioso na promoção da paz, mas evitou citar diretamente o presidente dos Estados Unidos. A postura foi interpretada por adversários políticos como uma tentativa de equilibrar interesses.

Pressão sobre Meloni

A omissão de críticas diretas a Trump gerou reação de opositores. O deputado Angelo Bonelli afirmou estar indignado com a postura da premiê diante do que classificou como blasfêmia contra o papa e o mundo católico.

Por outro lado, o vice-primeiro-ministro Matteo Salvini também se manifestou sobre o episódio e criticou o ataque ao pontífice. Ele afirmou que Leão XIV é uma liderança espiritual global e que atacá-lo "não parece sábio nem útil".

Críticas e simbolismo histórico

O episódio reacendeu os debates sobre o impacto político de confrontos com o papado. O ex-primeiro-ministro Matteo Renzi afirmou que o ataque representa um gesto grave e defendeu a importância de proteger a figura do pontífice.

Renzi declarou que o papa atua como "construtor de pontes", em contraste com Trump, a quem atribuiu a deterioração de relações internacionais. Ele também citou um provérbio italiano que sugere consequências negativas para líderes que enfrentam o papado.

Especialistas também analisaram o episódio. O historiador Alberto Melloni afirmou que confrontos desse tipo tendem a se voltar contra líderes políticos ao longo do tempo. Já o padre Antonio Spadaro avaliou que as críticas ao papa indicam a relevância de sua atuação no cenário global.

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