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Armênia prende seis candidatos da oposição antes de eleição decisiva

Detenções ocorrem na véspera das eleições parlamentares e ampliam tensões entre governo de Nikol Pashinyan e blocos oposicionistas

Cartazes de campanha eleitoral com a imagem do líder do partido Contrato Civil e primeiro-ministro (Foto: Sputnik/Yuri Kochetkov)
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247 - As autoridades da Armênia prenderam seis candidatos parlamentares ligados ao bloco oposicionista Armênia Forte na véspera das eleições gerais marcadas para este domingo (7). As detenções aumentaram a tensão política no país e provocaram críticas de adversários do governo, que denunciam pressão estatal contra a oposição durante o processo eleitoral.

Segundo informações publicadas pelo portal RT, a Comissão Eleitoral Central da Armênia rejeitou pedidos para retirar o bloco Armênia Forte da disputa eleitoral, mas autorizou a abertura de processos criminais e a prisão preventiva de seis de seus candidatos.

Os detidos são Hayk Avagyan, Susan Badalyan, Artur Abrahamyan, Vahe Tavakalyan, Vahe Yeghiazaryan e Ashot Sahakyan. Em comunicado divulgado neste sábado, o Comitê de Investigação da Armênia informou que as medidas estão relacionadas a uma investigação criminal em andamento.

Investigação e acusações

Em nota oficial, o órgão declarou: “No decorrer da investigação preliminar de um caso criminal relativo ao aliciamento de inúmeras pessoas e à lavagem de dinheiro em larga escala, foi instaurado um processo penal público contra seis candidatos parlamentares do bloco Armênia Forte”. O comunicado acrescenta que todos os investigados foram presos.

As detenções ocorreram poucos dias após uma série de debates televisionados em que o primeiro-ministro Nikol Pashinyan defendeu a retirada do registro eleitoral de alguns dos principais grupos oposicionistas do país.

Pashinyan chegou ao poder em 2018 após a chamada Revolução de Veludo e lidera atualmente o partido governista Contrato Civil, que tem buscado aprofundar relações com a União Europeia ao mesmo tempo em que mantém laços históricos com a Rússia.

Disputa eleitoral acirrada

A eleição deste domingo é considerada uma das mais importantes dos últimos anos na Armênia. Embora pesquisas indiquem que o Contrato Civil deve continuar como a maior força política do Parlamento, há dúvidas sobre sua capacidade de conquistar uma maioria suficiente para governar sozinho.

O principal adversário do governo é o bloco Armênia Forte, liderado pelo empresário russo-armênio Samvel Karapetyan. Levantamentos de opinião colocam a legenda em segundo lugar, embora os resultados variem significativamente entre diferentes institutos de pesquisa.

A incerteza eleitoral também é ampliada pelo elevado número de indecisos. Estimativas apontam que cerca de 30% do eleitorado ainda não definiu seu voto, fator que pode influenciar diretamente a composição do próximo Parlamento.

Oposição denuncia pressão política

Partidos oposicionistas acusam o governo de utilizar instrumentos judiciais para enfraquecer adversários políticos antes da votação. A oposição armênia é composta por 17 partidos e blocos, formando um cenário altamente fragmentado.

Caso o partido de Pashinyan não alcance maioria parlamentar, a formação de uma coalizão alternativa dependerá de negociações entre diferentes forças políticas, um processo considerado complexo devido às divergências existentes entre os grupos oposicionistas.

As prisões também repercutiram internacionalmente, especialmente na Rússia, país que acompanha com atenção os rumos políticos da Armênia, tradicional aliada de Moscou no Cáucaso.

Reações de Moscou

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, acusou as autoridades armênias de comprometer procedimentos democráticos e afirmou que as ações levantam dúvidas sobre a legitimidade do processo eleitoral.

O ex-presidente russo Dmitry Medvedev também criticou o governo armênio, acusando Pashinyan de “tentar eliminar todos os seus rivais nas eleições”.

Nos últimos meses, Moscou tem demonstrado preocupação com a aproximação entre Yerevan e a União Europeia. Autoridades russas alertam que uma integração mais profunda da Armênia ao bloco europeu seria incompatível com a permanência do país na União Econômica Eurasiática (UEE).

Debate sobre relações exteriores

Em maio, o presidente russo Vladimir Putin afirmou que a saída da Armênia da UEE poderia provocar perdas econômicas significativas, estimadas em até 14% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.

A política externa de Pashinyan tornou-se um dos principais temas da campanha eleitoral. O governo tem buscado diversificar suas alianças internacionais, movimento que vem sendo observado com preocupação por setores pró-Rússia.

No início deste mês, o ex-presidente armênio Robert Kocharyan declarou que o governo de Pashinyan está transformando “artificialmente” a Armênia em inimiga da Rússia e conduzindo o país pelo mesmo caminho da Ucrânia.