Alerta de Lapid, antigo primeiro-ministro, expõe crise nas forças armadas de Israel
Ex-premiê afirma que exército está à beira do colapso e cobra ações urgentes do governo Netanyahu
247 - O ex-primeiro-ministro de Israel, Yair Lapid, fez um duro alerta sobre a situação das Forças de Defesa de Israel (IDF), afirmando que o país enfrenta o risco de um novo desastre de segurança em meio ao atual contexto de guerra. Em declaração pública, Lapid destacou que, após mais de uma década acompanhando fóruns de segurança, nunca presenciou um aviso tão grave quanto o recente comunicado ao gabinete político e militar.
A manifestação foi publicada pelo próprio Lapid na rede social X (antigo Twitter), onde o líder político relatou preocupações expressas pelo chefe do Estado-Maior, general Eyal Zamir, durante reunião com autoridades israelenses.
Segundo Lapid, o militar apresentou um quadro alarmante. “Estou levantando 10 bandeiras vermelhas”, afirmou Zamir, acrescentando: “As Forças de Defesa de Israel estão prestes a entrar em colapso.” Para o ex-premiê, o aviso não deixa margem para dúvidas sobre a gravidade da situação. “Quem o ouviu ontem não poderá dizer: ‘Eu não sabia’”, declarou.
Exército sobrecarregado e sem efetivo suficiente
Lapid afirmou que o diagnóstico do comando militar coincide com informações já conhecidas por ele e outras fontes. O político destacou o desgaste extremo das forças. “Nossos pilotos, nossos combatentes, estão escrevendo capítulos gloriosos na história do Estado de Israel. Esta é uma geração de leões que está realizando um trabalho incrível, mas as Forças de Defesa de Israel estão sobrecarregadas e além.”
Ele apontou que o sistema militar enfrenta limitações críticas, especialmente no recrutamento de reservistas. Segundo o relato, há militares convocados pela sexta e até sétima vez, já exaustos e sem condições de atender às demandas operacionais. Além disso, Lapid afirmou que as tropas regulares estariam em “colapso completo”, sem contingente suficiente para cumprir suas missões.
Críticas ao governo e à política de recrutamento
O ex-primeiro-ministro também responsabilizou o governo israelense pela situação atual. “O governo está abandonando o exército ferido em campo”, afirmou. Ele criticou a continuidade de políticas que, segundo ele, incentivam a não participação de setores ultraortodoxos no serviço militar, classificando a medida como um risco à segurança nacional.
Lapid defendeu mudanças imediatas, incluindo a suspensão de recursos destinados a quem não se alista e ações mais rigorosas para garantir o recrutamento. Ele também mencionou a necessidade de combater o que chamou de “terrorismo judaico”, afirmando que o deslocamento de tropas para a Cisjordânia estaria sobrecarregando ainda mais o exército.
Guerra sem estratégia, diz Lapid
Outro ponto destacado foi a condução da guerra em múltiplas frentes. De acordo com Lapid, o governo estaria enviando as forças armadas para operações simultâneas sem planejamento adequado. “O governo está enviando o exército para uma guerra em múltiplas frentes sem estratégia, sem recursos e com um número insuficiente de soldados”, afirmou.
O político reforçou que a responsabilidade pela situação não poderá ser negada pelas autoridades. “Desta vez, o governo não poderá dizer ‘Eu não sabia’”, disse. Ele acrescentou que o alerta foi feito pelo próprio chefe do Estado-Maior, nomeado pelo governo, e que há consenso dentro do sistema de segurança sobre a gravidade do cenário.
Pressão sobre Netanyahu aumenta
Lapid também direcionou críticas ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, afirmando que, após o alerta militar, não há como se eximir de responsabilidade. “A partir de ontem à noite, o primeiro-ministro Netanyahu não poderá mais dizer ‘Eu não sou responsável’.”
Ao final, ele reforçou o apelo por mudanças imediatas na condução da política de segurança. “O aviso foi dado. A responsabilidade é sua. A responsabilidade é sua. Vocês não podem continuar a abandonar a segurança de Israel, em tempos de guerra, por questões políticas mesquinhas.”


