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Ted Turner, fundador da CNN, morre aos 87 anos nos Estados Unidos

Fundador da CNN redesenhou o jornalismo com notícias 24h e construiu um império midiático, deixando legado global na comunicação e na filantropia

Ted Turner, fundador da CNN, morre aos 87 anos nos Estados Unidos (Foto: REUTERS/Phil McCarten | Divulgação CNN)

247 - O empresário e filantropo Ted Turner, fundador da CNN e pioneiro do modelo de notícias 24 horas, morreu aos 87 anos na quarta-feira, cercado pela família, segundo comunicado da Turner Enterprises. Visionário da mídia, Turner transformou a forma como o mundo consome informação e consolidou um novo padrão para o jornalismo televisivo global.

As informações foram divulgadas pela própria CNN, emissora que ele criou e que se tornou referência internacional. Turner ficou conhecido por sua postura direta e por construir um império que incluiu canais de TV, equipes esportivas e iniciativas ambientais, além de atuação destacada na filantropia e em causas globais.

Ao longo da carreira, Turner acumulou diferentes papéis: foi empresário, velejador de destaque internacional, ambientalista e defensor do desarmamento nuclear. Também fundou a Fundação das Nações Unidas e apoiou projetos ambientais, incluindo a reintrodução do bisão no oeste dos Estados Unidos.

Criação da CNN  

A maior contribuição de Turner foi a criação da CNN, lançada em 1º de junho de 1980 como o primeiro canal de notícias 24 horas do mundo. A ideia foi inicialmente considerada arriscada, mas acabou redefinindo o consumo de informação ao permitir cobertura contínua de acontecimentos globais.

Turner acreditava que a falta de informação contribuía para os problemas da sociedade e enxergou na televisão um meio poderoso para ampliar o acesso a diferentes perspectivas. Ele mesmo reconheceu limitações no conhecimento jornalístico, mas apostou na contratação de profissionais experientes para viabilizar o projeto.

O impacto da emissora ficou evidente durante a Guerra do Golfo, quando o conflito foi transmitido ao vivo para o mundo — algo inédito até então. A cobertura consolidou a relevância do modelo contínuo de notícias.

Expansão dos negócios e consolidação no mercado

Antes da CNN, Turner iniciou sua trajetória ao assumir a empresa de publicidade do pai aos 24 anos. Posteriormente, expandiu para rádio e televisão, adquirindo uma emissora em Atlanta que daria origem à primeira “superestação” da TV a cabo nos Estados Unidos.

Ele também investiu em esportes, adquirindo o Atlanta Braves e o Atlanta Hawks, tanto por interesse comercial quanto pessoal. A estratégia ajudou a ampliar audiência e receitas.

Na década de 1980, Turner expandiu ainda mais seu portfólio com canais como Turner Network Television, Turner Classic Movies e Cartoon Network. Em 1996, vendeu seu conglomerado à Time Warner por cerca de US$ 7,5 bilhões.

Vida pessoal, desafios e perdas

Nascido em Cincinnati, Turner teve uma infância marcada por dificuldades familiares e uma relação conturbada com o pai. Aos 24 anos, assumiu os negócios da família após o suicídio dele, episódio que marcou profundamente sua trajetória.

Ao longo da vida, enfrentou perdas pessoais e profissionais, incluindo o fim do casamento com a atriz Jane Fonda. Sobre a relação, ela declarou: “Eu nunca amaria ninguém como amo ele. Mas eu simplesmente não podia continuar vivendo no mundo dele”.

Turner também enfrentou dificuldades financeiras após a fusão da Time Warner com a AOL, considerada uma das mais problemáticas da história corporativa. Ele próprio reconheceu o impacto: “I lost Jane. I lost my job here. I lost my fortune, most of it”.

Filantropia e legado ambiental

Após deixar o comando direto dos negócios, Turner intensificou sua atuação filantrópica. Em 1997, prometeu doar US$ 1 bilhão à ONU, compromisso concluído anos depois, apesar das perdas financeiras.

Ele também se destacou como um dos maiores proprietários de terras da América do Norte, com cerca de 2 milhões de acres, e liderou iniciativas ambientais, incluindo a preservação de espécies ameaçadas.

Turner mantinha o maior rebanho privado de bisões do mundo, com cerca de 51 mil animais, contribuindo diretamente para evitar a extinção da espécie. Seu trabalho ambiental também inspirou projetos educativos, como o personagem Capitão Planeta.

Reconhecimento e impacto global

O impacto de Turner foi reconhecido internacionalmente. Em 1991, foi eleito “Homem do Ano” pela revista Time, que destacou sua capacidade de transformar espectadores em testemunhas imediatas da história.

O atual CEO da CNN, Mark Thompson, afirmou em nota: “Ted era um líder extremamente engajado e comprometido, intrépido, destemido e sempre disposto a seguir uma intuição e confiar no próprio julgamento”.

Ele acrescentou: “Ele era e sempre será a alma da CNN. Ted é o gigante sobre cujos ombros nos apoiamos”.

Turner deixa cinco filhos, 14 netos e dois bisnetos. Seu legado permanece associado à transformação da mídia global e à defesa de causas ambientais e humanitárias, consolidando sua posição como uma das figuras mais influentes da história da comunicação.