Indústria farmacêutica lança plano BrasilFarma 2035 com meta de dobrar empregos e investir R$ 35 bilhões
Em evento de 15 anos, Grupo FarmaBrasil lança plano para impulsionar a indústria farmacêutica nacional
247 - Em celebração aos seus 15 anos, o Grupo FarmaBrasil lançou na terça-feira (9), no Clube de Engenharia de Brasília, o programa BrasilFarma 2035, uma agenda estratégica voltada à aceleração da inovação, ao fortalecimento da indústria farmacêutica nacional e à ampliação da segurança sanitária do país.
O plano foi lançado durante jantar que reuniu autoridades públicas e lideranças empresariais e estabelece metas para os próximos dez anos com foco no desenvolvimento tecnológico, expansão industrial, redução da dependência externa e fortalecimento da competitividade internacional da indústria farmacêutica brasileira.
Na ocasião, foram homenageados o vice-presidente Geraldo Alckmin, a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, o ministro da Indústria, Márcio Elias Rosa, além de outras autoridades e lideranças que têm atuado no fortalecimento da política industrial, da inovação tecnológica e do desenvolvimento do complexo econômico-industrial da saúde no país.
Entre as principais metas apresentadas está a duplicação do número de empregos no setor. Atualmente responsável por cerca de 218 mil postos de trabalho, a indústria farmacêutica pretende alcançar 436 mil empregos até 2035. O programa também prevê a realização de R$ 35 bilhões em investimentos destinados à pesquisa e desenvolvimento, ampliação da capacidade produtiva e instalação de novas fábricas no país.
Outra meta é reduzir em 15% o déficit da balança comercial do setor por meio do aumento das exportações e da substituição competitiva de importações. O plano ainda estabelece como objetivo alcançar 20 projetos de inovação radical em fase pré-clínica ou clínica e obter 50 registros de produtos inovadores até 2035.
A estratégia apresentada pelo Grupo FarmaBrasil busca posicionar o país como um centro global de inovação em saúde. Entre as áreas consideradas prioritárias estão biotecnologia, biodiversidade, RNA mensageiro, vacinas, inovação incremental e inovação radical em medicamentos.
O programa propõe a criação de uma rede nacional de centros de excelência em pesquisa aplicada, engenharia farmacêutica e inovação industrial. A intenção é reduzir o chamado hiato translacional, transformando conhecimento científico produzido em universidades e centros de pesquisa em soluções terapêuticas com aplicação industrial e comercial.
Outro eixo considerado estratégico é a formação de mão de obra especializada. O documento prevê ações voltadas à qualificação de profissionais em áreas como biotecnologia, inovação e desenvolvimento tecnológico, consideradas essenciais para o crescimento da indústria nacional.
No campo produtivo, o Brasil Farma 2035 defende a definição de ingredientes farmacêuticos ativos (IFAs) considerados estratégicos para produção no país. O objetivo é reduzir a dependência externa e consolidar uma cadeia nacional de insumos capaz de garantir maior autonomia para o Sistema Único de Saúde (SUS) e para a indústria farmacêutica brasileira.
O plano também prevê financiamento para modernização e ampliação da infraestrutura industrial farmacêutica e farmoquímica instalada no Brasil, com foco na produção local de medicamentos, produtos biológicos e insumos estratégicos.
Na área de comércio exterior, a proposta inclui medidas de apoio técnico, mercadológico e financeiro para ampliar a presença dos medicamentos brasileiros nos mercados internacionais. O documento também sugere iniciativas de integração regional, especialmente no âmbito do Mercosul, voltadas à produção e comercialização de medicamentos estratégicos.
A pesquisa clínica aparece como outro dos pilares do programa. O setor defende o fortalecimento da capacidade nacional de elaboração de protocolos e desenhos de estudos clínicos, bem como a qualificação de centros brasileiros de desenvolvimento de pesquisas.
O documento também dedica atenção especial ao ambiente regulatório. Segundo a proposta, para que a indústria farmacêutica nacional alcance maior competitividade, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deve estar plenamente integrada à política industrial do país, atuando como indutora da inovação.
O setor defende marcos regulatórios mais previsíveis, mecanismos ágeis para análise de produtos de fronteira tecnológica e canais permanentes de diálogo entre a agência reguladora e as empresas. O plano também aponta a necessidade de uma estrutura específica na Anvisa para lidar com inovações radicais e incrementais.
Entre as preocupações apresentadas está a questão do financiamento da agência. O documento afirma que a Anvisa enfrenta limitações decorrentes da falta de independência financeira e avalia que as taxas atualmente cobradas não são compatíveis com as necessidades de modernização e resposta exigidas pelo setor.



