Parceria entre Brasil 247 e Global Times

HOME > Global Times

Fifa e rede de TV chinesa CCTV divergem sobre direitos de transmissão da Copa de 2026

Fifa e CCTV ainda negociam direitos da Copa de 2026, enquanto imprensa chinesa aponta divergência bilionária

Inglewood, Califórnia, EUA; Bola da Copa do Mundo de Los Angeles de 2026 fotografada durante a inauguração do novo campo de futebol de teste em antecipação ao jogo da Liga das Nações e à Copa do Mundo de 2026 no Estádio SoFi (Foto: Gary A. Vasquez-Imagn Images/File Photo Purchase Licensing Rights viva REUTERS)

247 - As negociações entre a Fifa e a CCTV pelos direitos de transmissão da Copa do Mundo de 2026 na China seguem sem definição, em meio a relatos de divergência bilionária sobre os valores cobrados pela entidade máxima do futebol, informa o jornal Global Times.

Segundo a publicação, a Fifa apresentou inicialmente à Televisão Central da China uma proposta entre US$ 250 milhões e US$ 300 milhões pelos direitos do torneio. O valor provocou ceticismo no país, já que o orçamento estimado da CCTV estaria entre US$ 60 milhões e US$ 80 milhões.

Proposta da Fifa teria sido reduzida, mas impasse permanece

De acordo com o Beijing Daily, mesmo após uma suposta redução da proposta para uma faixa entre US$ 120 milhões e US$ 150 milhões, a distância entre as expectativas da Fifa e da emissora chinesa continuou significativa. 

Ao ser procurada pelo Global Times, a Fifa evitou comentar diretamente os valores mencionados pela imprensa chinesa e afirmou que as tratativas continuam.

“As discussões na China sobre a venda dos direitos de mídia para a Copa do Mundo da FIFA de 2026 estão em andamento e devem permanecer confidenciais nesta fase”, disse um porta-voz da Fifa, em resposta por e-mail ao Global Times.

Custo dos direitos da Copa disparou na China

Nas últimas duas décadas, os direitos de transmissão da Copa do Mundo no mercado chinês registraram forte alta. Segundo os dados citados, os direitos combinados das Copas de 2010 e 2014 foram vendidos por cerca de US$ 115 milhões. Já os torneios de 2018 e 2022, também somados, custaram aproximadamente US$ 300 milhões.

O possível valor cobrado para 2026 gerou críticas adicionais entre torcedores chineses porque, segundo relatos, a Fifa teria oferecido à Índia um pacote para duas edições da Copa do Mundo por apenas US$ 35 milhões. A comparação ampliou o debate sobre a diferença de tratamento entre os mercados asiáticos.

A poucas semanas para Copa do Mundo de 2026, a falta de um acordo final para a transmissão na China chama atenção por envolver um dos maiores mercados potenciais do torneio. Nas redes sociais chinesas, torcedores e comentaristas passaram a questionar se a Fifa elevou recentemente o preço cobrado da CCTV.

Horários dos jogos e ausência da China reduzem atratividade

O Beijing Daily afirmou que o interesse comercial pela Copa de 2026 na China foi afetado por dois fatores centrais. O primeiro é a ausência da seleção chinesa no torneio, o que teria reduzido o apelo da competição no país. O segundo é o fato de a Copa ser sediada na América do Norte, fazendo com que muitas partidas importantes sejam disputadas de madrugada ou pela manhã no horário de Pequim.

Esse cenário, segundo o jornal, diminuiu a disposição dos anunciantes em investir na transmissão. Com a aproximação da competição e o impasse nas negociações, a perda da janela de patrocínio passou a ser vista como inevitável.

O Beijing Daily também apontou que jornalistas de veículos da China ainda enfrentam dificuldades para obter vistos, o que os impede de solicitar estúdios, cabines de reportagem e assentos para comentaristas nos locais da Copa. O jornal avaliou que isso pode afetar a qualidade da cobertura do torneio no país.

Patrocinadores chineses ampliam pressão sobre acordo

A indefinição também preocupa pelo peso dos patrocinadores chineses na Copa do Mundo de 2026. Segundo estatísticas citadas pelo Beijing Daily, empresas chinesas investiram mais de US$ 500 milhões no torneio.

Na avaliação do jornal, um eventual cancelamento da transmissão seria inaceitável para essas companhias e também poderia prejudicar a influência da Fifa na captação de patrocínios e na sustentação de valores mais altos para seus direitos comerciais.

Mercado chinês de direitos esportivos passa por mudança

O debate ocorre em um momento de transformação no mercado chinês de direitos esportivos. O Beijing Daily destacou que, até a Copa do Mundo de 2014, realizada no Brasil, a CCTV mantinha exclusividade absoluta sobre a transmissão do torneio. As plataformas de internet podiam apenas comprar direitos de reprodução sob demanda ou produzir programas complementares.

A Copa do Mundo de 2018, na Rússia, marcou uma mudança importante. Pela primeira vez, a CCTV distribuiu direitos de transmissão ao vivo, abrindo espaço para o consumo de partidas em dispositivos móveis. Em 2022, no Catar, os recursos ligados aos direitos de transmissão passaram a se concentrar ainda mais em plataformas de vídeos curtos.

Para o Beijing Daily, o mercado de direitos autorais esportivos na China vem se ajustando após um período de valorização excessiva. O jornal citou a Superliga Chinesa e a CBA como exemplos de competições que enfrentam queda nos custos gerais de direitos esportivos, em um cenário de redução das bolhas de mercado.

O veículo concluiu que, por mais atrativas que sejam as partidas da Copa do Mundo, os direitos de transmissão deveriam voltar a patamares considerados racionais e afirmou não haver razão para que a Fifa eleve preços de forma arbitrária.

Artigos Relacionados