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“Vamos garantir um dia de descanso sagrado para o trabalhador”, diz Reginaldo Lopes sobre fim da escala 6x1

Deputado afirma que PEC pode ser votada até maio, cita adesão de empresas à jornada 5 por 2 e defende redução para 40 horas semanais

“Vamos garantir um dia de descanso sagrado para o trabalhador”, diz Reginaldo Lopes sobre fim da escala 6x1 (Foto: Divulgação)

247 - O deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG) afirmou que o Congresso Nacional deve avançar nos próximos meses com a proposta que acaba com a escala 6 por 1 no Brasil e reduz a jornada semanal de trabalho. Em entrevista ao programa Brasil Agora, da TV 247, o deputado mineiro demonstrou otimismo com a tramitação da PEC de sua autoria e disse que há uma mudança em curso no mercado de trabalho.

“Nós vamos agora, em um único movimento, garantir um dia de descanso sagrado para o trabalhador brasileiro”, enfatizou o parlamentar, destacando que a previsão é que a admissibilidade da proposta seja aprovada em março, o mérito em comissão especial em abril e a votação em plenário ocorra na semana de 1º de Maio, Dia do Trabalho.


Empresas já começam a adotar escala 5 por 2

O deputado afirmou que o país já observa um movimento empresarial de abandono da escala 6 por 1, citando exemplos de redes de supermercados e farmácias que anunciaram jornadas 5 por 2.

“Demonstra que, de fato, o Brasil está vivendo pleno emprego, mas tem 15 milhões de trabalhadores que estão informais, que estão dizendo para o mercado de trabalho formal a seguinte expressão: eu topo vender parte do meu tempo livre para o mercado formal, mas eu quero parte do meu tempo livre para viver", salientou.

Ele argumenta que a redução da jornada pode incentivar a formalização do trabalho e gerar ganhos econômicos. “Se formalizarmos 30% do trabalhador informal, nós vamos reequilibrar as contas públicas”, acrescentou.


6x1 é chamada de “escravidão moderna”

Reginaldo Lopes fez críticas duras ao modelo atual de jornada, especialmente no comércio, onde trabalhadores chegam a cumprir até 60 horas semanais somando deslocamento e expediente.

“Essa escala seis por um, que na verdade se tornou no século XXI a escravidão moderna”, enfatizou o deputado, que também rebateu análises econômicas que questionam produtividade do trabalhador brasileiro. “Todo trabalhador brasileiro sabe que ele trabalha muito”, destacou.

Segundo o parlamentar, houve uma convergência política entre diferentes atores no Congresso Nacional para estabelecer dois pontos principais: fim da escala 6 por 1 e redução para 40 horas semanais, sem redução salarial. Ele citou a participação da deputada Erika Hilton, do ministro do Trabalho Luiz Marinho e da ministra das Relações Institucionais Gleisi Hoffmann nas negociações.

“Nós não abrimos mão da redução para 40 horas e também não abrimos mão do fim da escala seis por um”, enfatizou ele, reforçando que o objetivo futuro, será avançar para 36 horas semanais em cerca de uma década.

O parlamentar argumentou que o Brasil está atrasado em relação a outros países. “De 158 países pesquisados, o Brasil só tem carga horária superior a 36 países. Na verdade, 122 países trabalham numa jornada menor do que o Brasil”, lembrou.

Ele defendeu que a redução da jornada é necessária diante de avanços tecnológicos e da necessidade de redistribuição de renda. “Não tem produção de riqueza sem o principal motor, que é o trabalho humano", advertiu.


Cenário político e eleições em Minas Gerais

Na entrevista, Reginaldo Lopes também comentou o cenário eleitoral em Minas Gerais e declarou apoio ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, para o governo estadual.

“Com a confirmação do Rodrigo Pacheco, ele vai se tornar o futuro governador de Minas", disse.

Ele afirmou que o Partido dos Trabalhadores deve participar da aliança com candidatura ao Senado e atuar para fortalecer o palanque do presidente Lula no estado.

Reginaldo Lopes confirmou ainda que pretende disputar a reeleição para a Câmara dos Deputados, destacando sua atuação na reforma tributária e em propostas ligadas à mobilidade e ao trabalho.

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