“Cuba tem capacidade para resistir e já vive em condições de guerra”, afirma embaixador
Representante cubano no Brasil diz que país enfrenta guerra econômica e se prepara para possível agressão dos EUA. Ele pede apoio internacional
247 - O embaaixdor de Cuba no Brasil, Victor Palomo, afirmou que o país vive sob “condições de guerra” e tem capacidade para resistir a uma eventual agressão dos Estados Unidos. A declaração foi feita durante particpação no programa Boa Noite, da TV 247, ao comentar as recentes ameaças do presidente norte-americano, Donald Trump, e o cenário internacional de crescente tensão.
O embaixador apontou que as declarações de Trump seguem uma estratégia baseada no uso do medo e da desinformação. “O presidente Trump tem duas características: utiliza mentiras constantemente para confundir seus adversários e usa o medo como instrumento para pressioná-los”, afirmou.
Palomo descreveu a realidade atual da ilha, destacando que, mesmo sem um conflito armado, o país enfrenta uma situação equivalente a guerra devido ao bloqueio econômico imposto há décadas pelos Estados Unidos.
“Cuba já vive em condições de guerra. Vivemos uma guerra econômica”, saleintou. Segundo ele, as restrições afetam diretamente o cotidiano da população, especialmente no acesso a combustível e energia. “Quando Cuba não consegue receber combustível e é submetida a um cerco energético, já vive em condições de guerra, em condições muito difíceis, uma guerra sem bombas”, afirmou.
O embaixador afirmou que Cuba não deseja um confronto militar, mas destacou que o país se prepara para se defender diante das ameaças recorrentes.
“Estamos nos preparando para uma intervenção militar. Cuba quer a paz, não é um país de guerra, mas tem o direito de defender sua soberania”, declarou.
Ele reforçou que, em caso de ataque, as consequências seriam amplas. “Se os Estados Unidos atacarem Cuba por via armada, a situação será muito grave para o Caribe e para toda a região, com múltiplas consequências para ambos os lados”, disse.
Ainda assim, enfatizou a capacidade de resistência do país. “Cuba não deseja guerra, mas tem capacidade para resistir a um ataque dos Estados Unidos”, reforçou.
Apoio internacional e papel do Brasil
Durante a entrevista, Palomo destacou o papel do Brasil na defesa de Cuba no cenário internacional, citando a atuação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva contra o bloqueio econômico.
Segundo ele, o governo brasileiro tem contribuído com doações de medicamentos, alimentos e insumos, além de atuar diplomaticamente em defesa da ilha. “O Brasil tem capacidade de exercer liderança internacional e promover iniciativas que ajudem a apoiar Cuba”, afirmou.
O embaixador também mencionou o apoio de países como China, México e Rússia, além da solidariedade de movimentos sociais brasileiros.
Ao ser questionado sobre o impacto interno das dificuldades econômicas, Palomo reconheceu que há insatisfação em parte da população, mas fez uma distinção importante.
“Há descontentamento em um setor da população, mas isso não significa rejeição à revolução. A maioria da população cubana apoia a sua revolução”, disse.
Ele acrescentou que a população compreende a origem das dificuldades. “A maioria dos cubanos entende que o bloqueio dos Estados Unidos é responsável por essa situação”, declarou.
Energia e alternativas diante do bloqueio
O embaixador também abordou os esforços para reduzir a dependência energética, destacando o avanço das fontes renováveis, especialmente a energia solar.
“O sol não pode ser bloqueado. Até agora, os Estados Unidos não conseguiram bloquear o sol”, ironizou.
Segundo ele, Cuba também busca ampliar o uso de biocombustíveis e energia eólica para aumentar a autonomia energética.
Ao final, Palomo criticou o foco atual da agenda internacional, marcada por conflitos e tensões, em detrimento de temas essenciais para a população mundial.
“Hoje não estamos discutindo como eliminar a fome ou enfrentar a mudança climática. Estamos falando de guerras e ameaças de guerra”, afirmou.
Ele concluiu defendendo maior cooperação entre os países: “Só a unidade e a solidariedade entre os povos poderão derrotar o uso da força para impor interesses”.

