BNDES amplia apoio a mulheres empreendedoras com até R$ 80 milhões
Chamada pública financia projetos de renda e cuidado em periferias urbanas, com foco em inclusão produtiva e fortalecimento da autonomia feminina até junho
247 - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) lançou uma nova mobilização para apoiar mulheres empreendedoras e iniciativas ligadas à economia do cuidado em favelas e comunidades urbanas. A informação foi divulgada pela Agência de Notícias do BNDES, responsável pela publicação original sobre a iniciativa. A chamada pública, intitulada BNDES Periferias Mulheres, prevê a destinação de até R$ 80 milhões para projetos voltados à geração de renda e inclusão produtiva.
A iniciativa foi detalhada durante uma oficina virtual realizada nesta quarta-feira (29), com a participação da ministra das Mulheres, Márcia Lopes; da secretária Nacional de Política de Cuidados e Família do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), Laís Abramo; e da diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello. O encontro teve como objetivo orientar organizações interessadas e esclarecer dúvidas sobre o edital, que segue aberto até 12 de junho de 2026, às 17h.
Durante o evento, Tereza Campello ressaltou o impacto esperado da ação. “Queremos fortalecer os territórios, aumentar a geração de renda e de oportunidades para jovens, além do fortalecimento da autonomia das mulheres. Uma parte das nossas atividades fortalecimento esse empoderamento das mulheres como empreendedoras”, afirmou. Ela também destacou o caráter inovador da proposta: “É a primeira vez que o BNDES se volta para essa agenda tão inovadora e necessária”.
A ministra Márcia Lopes enfatizou a relevância da integração entre empreendedorismo e políticas de cuidado. “Quando se fala no BNDES Periferias em empreendedorismo e política de cuidado se associam duas dimensões muito importantes. O projeto do BNDES, então, torna de fato essas mulheres empreendedoras, no sentido mais amplo sentido e digno da palavra. Sem a precarização que ocorria no passado, profissionalizando e qualificando essas profissionais com processos, fluxos e procedimentos necessários para que elas disputem verdadeiramente em seus territórios a inclusão e o desenvolvimento, sendo consideradas plenamente na economia local”, declarou.
Já a secretária Laís Abramo destacou a importância estratégica da economia do cuidado no contexto atual. “A iniciativa BNDES Economia do Cuidado voltada a apoiar as iniciativas de geração de emprego e renda e serviços de cuidado nos territórios periféricos é de grande importância em um momento em que a questão da garantia do direito ao cuidado foi colocada como uma prioridade nos termos da Lei 15.069/2024 que institui a Política Nacional de Cuidados”, disse. Ela acrescentou: “Promover a qualificação profissional dessas trabalhadoras e criar serviços que diminuam essa carga de trabalhos de cuidado é fundamental para a promoção da igualdade de gênero e raça, assim como para a redução da pobreza, a justiça social e o desenvolvimento sustentável do país”.
A chamada está estruturada em duas frentes principais: BNDES Periferias Empreendedoras e BNDES Periferias Economia do Cuidado. Ambas têm como foco apoiar projetos que ampliem a geração de renda, fortaleçam negócios locais e promovam redes de apoio nos territórios periféricos.
No eixo voltado ao empreendedorismo, serão priorizadas propostas que atendam exclusivamente mulheres periféricas ou que sejam conduzidas por organizações com gestão majoritariamente feminina. Entre as ações possíveis estão capacitações técnicas e em gestão, mentorias, acesso a financiamento, diagnóstico de mercado e até aporte de capital semente para novos negócios.
Já a frente de economia do cuidado contempla iniciativas que ofereçam serviços a pessoas que necessitam de atenção, como crianças, idosos e pessoas com deficiência, além de apoiar trabalhadores do setor. O escopo inclui desde cuidados domiciliares até estruturas coletivas, como centros de convivência, lavanderias comunitárias e cozinhas solidárias.
Além do financiamento direto, os recursos poderão ser utilizados para estruturar polos de cuidado, incluindo obras, revitalização de espaços e aquisição de equipamentos. Também estão previstas ações de qualificação profissional, mapeamento de demandas locais e fortalecimento da gestão das iniciativas.
Podem participar da chamada organizações da sociedade civil sem fins lucrativos, individualmente ou em parceria. O BNDES poderá financiar até 90% do valor total dos projetos, com investimento mínimo de R$ 5 milhões por proposta, já incluindo contrapartidas. Entre os critérios de avaliação estão a qualidade técnica, a capacidade de execução, a sustentabilidade da iniciativa e a aderência ao território.
A ação integra um conjunto mais amplo de políticas do banco voltadas à redução das desigualdades e à promoção da equidade de gênero. A proposta também dialoga com a Política Nacional de Cuidados e o Plano Nacional de Cuidados – Brasil que Cuida, reforçando a importância do cuidado como eixo econômico e social.
Com a iniciativa, o BNDES busca fortalecer a autonomia econômica das mulheres, ampliar oportunidades em territórios vulneráveis e consolidar redes locais capazes de gerar desenvolvimento sustentável a partir das periferias urbanas.
