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Pilhas da Sigma Lithium não têm risco iminente, Diz ANM

Agência reguladora afirma que estruturas em mina de MG não exigem interdição imediata

Pilhas da Sigma Lithium não têm risco iminente, Diz ANM (Foto: Divulgação/Sigma Lithium)

247 - As pilhas de rejeitos e de material estéril da Sigma Lithium, localizadas em uma mina no interior de Minas Gerais, não apresentam risco iminente de colapso, segundo avaliação técnica da Agência Nacional de Mineração (ANM). A conclusão foi divulgada na noite de segunda-feira (3), após inspeção realizada no local em janeiro, e ocorre semanas depois de o Ministério do Trabalho ter determinado a interdição das estruturas por suposto risco aos trabalhadores e à comunidade do entorno.

De acordo com a ANM, uma equipe técnica esteve na mina de Grota do Cirilo em segunda-feira (20), cerca de um mês e meio após a interdição promovida por auditores-fiscais do trabalho, que haviam classificado a situação como de risco “grave e iminente”.

A decisão do Ministério do Trabalho teve impacto direto no mercado financeiro. Após a divulgação da interdição, em quarta-feira (15), as ações da Sigma Lithium, listadas na bolsa de Toronto, recuaram cerca de 30%. A mineradora, no entanto, informou que a paralisação das pilhas não comprometeria seu cronograma de retomada da produção.

Embora a avaliação da ANM não revogue a ordem do Ministério do Trabalho, o posicionamento do órgão regulador da mineração fortalece a estratégia jurídica da empresa. No início de janeiro, a Sigma ingressou com ação judicial contra o governo brasileiro para tentar anular a interdição, e o relatório técnico da agência pode ser utilizado como elemento de prova no processo.

Em comunicado oficial, a ANM detalhou que realizou uma inspeção visual das pilhas e analisou documentos técnicos apresentados pela mineradora. “Os técnicos da ANM não identificaram anomalias geotécnicas indicativas de risco iminente de instabilização global das pilhas”, afirmou a agência.

O órgão regulador reconheceu a existência de algumas inconformidades, mas destacou que elas não justificam, neste momento, a adoção de medidas mais severas. “Não foram constatadas, no momento, as condições que justifiquem a adoção de medidas acautelatórias de interdição”, informou a ANM.

Entre os pontos levantados, a agência notificou a Sigma Lithium pela ausência de um sistema adequado de drenagem superficial de águas nas pilhas. Segundo a ANM, trata-se de uma falha regulatória, mas que “não está associada a risco iminente”.

A agência também contestou a avaliação dos auditores do trabalho sobre uma suposta “ruptura parcial” em uma das pilhas localizadas nas proximidades de uma escola. Para a ANM, o que foi identificado no local corresponde a um “processo erosivo localizado em um dos bancos de uma das pilhas, com indícios de instabilização local”, sem caracterizar risco imediato à população.

Na segunda-feira (3), a Sigma anunciou a retomada das atividades de mineração em sua principal unidade, Grota do Cirilo, que estava inativa desde outubro. O complexo é o único ativo produtivo da empresa e concentra a maior mina de lítio em operação no país, com capacidade anual de cerca de 270 mil toneladas de concentrado.

Em documentos encaminhados anteriormente ao Ministério do Trabalho, a mineradora havia alertado que a perda de acesso às pilhas poderia gerar “impactos operacionais e econômicos significativos, além de comprometer a continuidade de atividade minerária regularmente licenciada”. Procurada para comentar a manifestação da ANM, a empresa não respondeu até o momento.

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