Iberia: uma estratégia de desenvolvimento para o Brasil em um mercado europeu altamente competitivo
A companhia aérea espanhola Iberia, anunciou recentemente sua intenção de fortalecer significativamente sua presença no Brasil.
A companhia aérea espanhola Iberia, subsidiária do International Airlines Group (IAG), anunciou recentemente sua intenção de fortalecer significativamente sua presença no Brasil, que é considerado essencial para o desenvolvimento do hub de Madri. Em janeiro de 2026, durante uma entrevista, Raphael de Lucca diretor da Iberia no Brasil, explicou que o desenvolvimento da companhia aérea espanhola no país era uma «parte essencial de nosso plano estratégico de longo prazo » e representava o “o principal motor de conectividade entre a América do Sul e a Europa.”
Abertura acelerada de novas rotas
Em novembro de 2025, o CEO da Iberia, Marco Sansavini, anunciou um aumento significativo de sua capacidade para o Brasil, com crescimento esperado de 25% nos lugares oferecidos no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025.
Esse crescimento se baseia especialmente na abertura de duas novas rotas diretas entre Madri e Recife, desde de dezembro de 2025 e entre Madri e Fortaleza desde de janeiro de 2026, bem como na manutenção de dois voos diários para São Paulo e no aumento de voos diários para o Rio de Janeiro. Outros três novos destinos brasileiros podem vir em seguida, elevando o total para 7 (em vez de 2 no final de 2025).
A Iberia aumentou, assim, o número de destinos brasileiros diretos a partir de Madri de dois para quatro, incorporando não apenas os centros econômicos tradicionais do sudeste (São Paulo, Rio), mas também o nordeste turístico (Recife, Fortaleza).
Objetivo estratégico: tornar Madri o centro da Europa para a América do Sul
Em fevereiro de 2025, durante a apresentação dos resultados anuais do IAG, o grupo hispano-britânico já havia apresentado o desenvolvimento do hub de Madri como uma de suas prioridades estratégicas. O objetivo é posicioná-lo como um importante hub europeu para rotas para o Brasil.
O desejo de expandir sua subsidiária espanhola no Brasil faz parte de uma estratégia mais ampla intitulada « Plano de Voo 2030 »: um programa de investimentos de vários bilhões de euros destinado a fortalecer sua frota de longa distância, modernizar a experiência do cliente e expandir seus destinos intercontinentais.
Para consolidar sua presença no Brasil e atender às ambições estabelecidas em seu «Plano de Voo 2030 », a Iberia usa várias alavancas, incluindo a criação de parcerias com companhias aéreas nacionais. Em janeiro desse ano, por exemplo, a Iberia assinou um acordo comercial com a LATAM Airlines para ampliar o reconhecimento mútuo de seus programas de fidelidade: viajantes titulares do LATAM Pass e membros do Iberia Club agora usufruem dos mesmos privilégios e do acúmulo de milhas.
Um mercado altamente competitivo
Embora o objetivo da Iberia pareça coerente, o corredor Brasil-Europa é um mercado competitivo já servido por várias grandes companhias aéreas.
Enquanto a TAP domina o mercado com rotas para onze cidades brasileiras a partir de Lisboa e Porto, duas companhias aéreas brasileiras completam a oferta: LATAM - parceira da Iberia e principal companhia aérea do Brasil - e Azul Brazilian Airlines. De Madri, além da Iberia, a Air Europa, que agora é 26% da Turkish Airlines, também serve o Brasil.
Neste contexto, a concorrência entre TAP e Iberia no mercado brasileiro nunca foi tão forte e a capacidade das duas companhias aéreas de absorver os aumentos esperados no tráfego é agora de importância estratégica. De fato, por trás da rivalidade entre as companhias está uma guerra pela infraestrutura. Desse ponto de vista, o hub de Madri tem uma clara vantagem sobre o hub de Lisboa, que está próximo da saturação, apesar das obras de expansão em andamento. No ano passado, o governo português, representado por Miguel Pinto Luz, ministro das Infraestruturas e Habitação, anunciou o lançamento do futuro aeroporto Luís Vaz de Camões. No entanto, ele não estará operacional por mais ou menos dez anos. Enquanto isso, o novo aeroporto de Madri - que explora apenas 50% de sua capacidade - oferece grandes perspectivas de crescimento para companhias aéreas baseadas nele, principalmente a Iberia. Portanto, Madri tem todas as cartas na mão para tirar de Lisboa seu status de porta de entrada da Europa para o Brasil.
Essa assimetria entre os dois hubs é ainda mais significativa, uma vez que o IAG é candidato à privatização da TAP Air Portugal. O governo de Luis Montenegro planeja vender 49% do capital da companhia aérea nacional. Portanto, se o grupo hispano-britânico adquirisse a companhia aérea portuguesa, o equilíbrio de poder nas rotas Europa-Brasil seria completamente redesenhado e, provavelmente, não seria vantajoso para a companhia aérea portuguesa e seu hub de Lisboa...