PL dos apps será analisado após as eleições, diz José Guimarães
O ministro assmiu a articulação política do Planalto nesta semana
247 - O governo federal decidiu adiar a análise do projeto de lei dos aplicativos, diante da ausência de consenso entre os setores envolvidos e da necessidade de ampliar o diálogo com o Congresso Nacional, informa o G1. A avaliação, segundo o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, é que o tema deve ser retomado apenas após o período eleitoral, em um cenário mais favorável.
Segundo Guimarães, o impasse inviabilizou a votação do texto no momento atual. “O PL dos aplicativos não votamos porque não tinha acordo sobre nada, plataforma não concorda, entregadores também não, como votar? E a oposição esperando um vacilo pra dizer que o PT estava prejudicando os trabalhadores, não pode, não teve consenso”, declarou.
O ministro afirmou ainda que houve esforço por parte dos ministros Luiz Marinho e Guilherme Boulos para construir uma proposta comum, mas sem sucesso. Diante disso, a decisão foi retirar o tema da pauta.
“Acertei com o relator. É minha posição, e a do governo. Mas as vezes a vida se encarrega de resolver. Não adianta fazer beicinho e nem bico, problemas são reais, o congresso é plural, o governo não tem maioria, é só com diálogo pra ter vitórias necessárias”, afirmou.
Estratégia para evitar desgaste político
Guimarães comparou o caso ao debate sobre a chamada “taxa das blusinhas”, que gerou desgaste ao governo. Para ele, insistir na votação sem consenso poderia trazer consequências semelhantes.
“Iria para nosso colo como veio a taxa das blusinhas. A SRI não é mérito de matéria é relação do congresso. Os aplicativos, entrei de última hora, estavam os ministros Marinho e Boulos, Lula disse pra eu tirar da pauta e eu corri”, disse.
Relação com o Congresso e Senado
O ministro reforçou que a prioridade da articulação política é fortalecer o diálogo com o Congresso, especialmente com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para destravar propostas.
“Aprofundar o diálogo, as matérias ficaram interditadas no senado. A PEC da segurança foi em comum acordo, tem que ser votadas no senado. Não podemos obrigar o senado a votar, e o diálogo com Alcolumbre é o que vai resolver isso”, declarou.
Cenário eleitoral e articulação política
Ao comentar o cenário eleitoral de 2026, Guimarães afirmou que o governo não demonstra preocupação com pesquisas que colocam adversários à frente.
“Vamos desidratar nosso opositor, não tem mérito pra ser presidente num momento como esse”, disse.
Ele também mencionou a articulação em estados estratégicos e citou Minas Gerais como exemplo, destacando a possível candidatura de Rodrigo Pacheco.
“Minas Gerias falta o Pacheco falar que é candidato, quando ele falar, o palanque está montado, ele está falando com Lula, acho que vai se resolver nos próximos dias. É um palanque consistente se Pacheco for nosso candidato, por tudo o que ele representa”, afirmou.
Guimarães também abordou sua decisão de não disputar eleições no Ceará, relatando dificuldades nos bastidores.
“Minha contribuição estava encerrada na Câmara, queria ir para o Senado pra ajudar. Não deixaram, a realidade política lá, virei a chave, me dizem que vou ficar sem mandato, é a vida, atendi ao apelo do presidente. Foram muitos doídos os bastidores disso tudo, pra mim, pessoalmente”, declarou.
Economia, guerra e endividamento
O ministro afirmou que o governo adotou medidas consideradas “corajosas” na política de combustíveis e que novas ações devem ser anunciadas para conter a inflação impactada pela guerra.
Ele também apontou o alto nível de endividamento das famílias como consequência da taxa de juros elevada e do crescimento das apostas on-line.
“O banco central já perdeu a oportunidade de abaixar a taxa de juros. Estamos num longo período de controle absoluto da inflação. E a inflação só caiu, tudo dentro da meta, e o BC insistiu em manter a taxa de Juro.... o endividamento das familias é também por alta taxa de juro, não pode dar com uma mão e tirar com a outra”, afirmou.


