PF mira finanças do Comando Vermelho e bloqueia quase R$ 500 milhões
Ação da PF e do MPF bloqueou quase meio bilhão de reais ligado ao Comando Vermelho
247 - A Polícia Federal prendeu operadores financeiros apontados como ligados ao Comando Vermelho em uma nova fase da Operação Red Fox, realizada no Brasil e no Suriname, e obteve o bloqueio judicial de quase R$ 500 milhões vinculados à organização criminosa. A ação, feita em conjunto com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público Federal (MPF), mira núcleos suspeitos de movimentar, ocultar e dissimular recursos usados para financiar drogas, armas e a logística da facção.
Entre os alvos presos está Arnaldo Ribeiro, identificado pelas investigações como um dos operadores do esquema financeiro da facção. Ele seria responsável por negociar a compra de 10 fuzis AK-47 destinados ao braço do Comando Vermelho que atua na Região Norte do Brasil.
Ribeiro também é apontado como alguém que mantinha contato direto com Edgard Alves Andrade, conhecido como Doca, uma das lideranças do Comando Vermelho no Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Doca segue foragido.
Prisão em mansão no Suriname
Arnaldo Ribeiro foi localizado em uma mansão em Paramaribo, capital do Suriname. No mesmo endereço, também foi presa Denise Mendonça, esposa dele. Os dois foram extraditados para o Brasil e receberam voz de prisão ao desembarcar em Belém, no Pará.
A fase da Operação Red Fox cumpriu quatro mandados de prisão preventiva. Além das prisões no Suriname, a PF realizou outras duas detenções em território brasileiro: uma no Rio de Janeiro e outra em Tabatinga, no Amazonas, município situado na região de tríplice fronteira com Colômbia e Peru.
Suspeita de contas usadas para movimentar dinheiro ilícito
O investigado preso no Rio de Janeiro é suspeito de utilizar contas pessoais e empresariais para fragmentar e movimentar recursos ilícitos do Comando Vermelho. De acordo com a apuração, esse mecanismo teria sido usado para dificultar o rastreamento do dinheiro e viabilizar pagamentos a fornecedores ligados à estrutura da facção.
Já o alvo preso em Tabatinga seria responsável por uma empresa utilizada no fluxo financeiro da organização criminosa na Amazônia. A investigação aponta que a companhia teria papel em pagamentos relacionados à logística transnacional de drogas e armas.
Nove mandados seguem em aberto
Apesar das prisões já realizadas, nove mandados de prisão preventiva permanecem em aberto contra outros investigados e integrantes da organização criminosa. Entre os alvos ainda procurados estão lideranças da facção que seguem foragidas.
A investigação da PF e do MPF busca desarticular estruturas financeiras que dariam suporte à compra de drogas e armas no exterior, com abastecimento destinado ao Comando Vermelho no Rio de Janeiro e em outros estados. O bloqueio de quase meio bilhão de reais foi determinado pela Justiça Federal como parte das medidas para interromper a capacidade econômica da organização criminosa.



