“Não me vejam como um louco antissistema”, diz Renan Santos
Pré-candidato a presidente pelo Missão também promete uma "revolução" e fala em empoderar o Poder Executivo
247 - O pré-candidato à Presidência da República Renan Santos adotou um discurso de ruptura com o modelo político e econômico tradicional durante participação na Marcha dos Municípios, em Brasília, nesta quinta-feira (21). Embora tenha rejeitado o rótulo de “antissistema”, Renan apresentou propostas que apontam para uma ampla reorganização da administração pública, da segurança e da economia nacional, defendendo uma “revolução” baseada em inteligência artificial, data centers, terras raras e fortalecimento do poder Executivo.
Ao falar para prefeitos e lideranças municipais, Renan Santos afirmou que pretende mudar a lógica de distribuição de recursos políticos no país. Ele defendeu “condicionar fundo eleitoral com base no desempenho dos prefeitos”. Segundo ele, o objetivo é fazer o prefeito “bater meta” e transformar o prefeito “no centro da política” no Brasil.
O dirigente do partido Missão também defendeu a criação de polos econômicos fora do eixo tradicional do país. Segundo ele, é necessário estabelecer “zonas econômicas especiais em cidades do interior do Nordeste”, disse. Em outro momento, afirmou que a nova economia brasileira pode surgir longe dos grandes centros tradicionais. “A revolução é dos data centers e das terras raras, isso não é centralizado em SP e RJ, é espalhado pelo país", declarou.
Renan Santos também afirmou que pretende buscar aproximação estratégica com os Estados Unidos no setor mineral e tecnológico. Ao mesmo tempo, afirmou que o Brasil não deve apenas exportar matéria-prima. “Não vamos dar todas as terras raras para os EUA, vamos produzir as turbinas dos aviões F35 aqui", declarou.
Em seu discurso, o pré-candidato disse acreditar que o Brasil viverá uma transformação profunda nos próximos anos. “Está vindo uma revolução que vai mudar tudo nos próximos 15 anos na administração pública”, afirmou. Para ele, a inteligência artificial terá papel central nesse processo. “A IA terá um efeito positivo, a melhora dos serviços públicos”, afirmou.
Como exemplo de digitalização do Estado, Renan citou El Salvador. “Em El Salvador as pessoas têm praticamente um SUS no celular”, disse. Apesar disso, reconheceu riscos ligados ao avanço tecnológico. “O lado ruim é que boa parte dos empregos vão desaparecer, e se não fizermos uma reforma econômica muito grande, mesmo municípios com atividade econômica poderão padecer”, declarou.
Ao abordar a estrutura institucional brasileira, Renan Santos defendeu mais força para o Executivo. “Preciso empoderar o Executivo”, afirmou. Em seguida, acrescentou: “as instituições não podem atrapalhar a revolução que pode acontecer”.
Embora tenha utilizado termos ligados à ruptura política, o dirigente negou ser um político antissistema. “A revolução que vamos fazer é uma revolução de pessoas responsáveis”, declarou. Em outro trecho, reforçou: “eu não sou antissistema, não estou aqui para derrubar tudo, estou aqui para erguer”.
Renan afirmou ainda que trabalha com um horizonte de longo prazo para transformar o país. “Tenho 30 anos para o Brasil ser uma das 5 maiores nações do mundo”, disse. Ao mesmo tempo, fez alertas sobre o cenário nacional. “Provavelmente o Brasil será dividido em dois se não fizermos nada.”
Na tentativa de se afastar da imagem de radicalismo, voltou a negar posições extremistas. “Não me vejam como louco antissistema, porque nunca fui”, afirmou.
O pré-candidato também fez críticas à situação urbana do país. “O país está hoje completamente favelizado”, disse. Em comparação internacional, acrescentou: “O Vietnã está dando um pau na gente, a renda per capita em Botswana ultrapassou o Brasil”.
Renan Santos ainda afirmou que prefeitos deveriam priorizar segurança e desenvolvimento econômico em vez de pautas culturais. “Não quero ver prefeito falando de banheiro trans”, declarou.
Na área da segurança pública, Renan Santos adotou um discurso de endurecimento contra facções criminosas. “Vamos prender e matar o crime organizado”, afirmou. Segundo ele, a ofensiva começaria pelo Nordeste. “Vou começar a guerra contra o crime pelo Ceará, descendo o Nordeste todo.”
Ao voltar ao tema urbano, Renan Santos atribuiu a degradação das cidades ao crescimento desordenado das periferias. “Nossas cidades estão feias por conta da favelização”, afirmou. Em seguida, prometeu uma política nacional voltada para eliminar favelas no país. “Eu vou fazer o estatuto nacional da desfavelização, para nunca mais haver favela no Brasil, país sério não tem favela”, declarou.



