Medo de violência política atinge 59,6% dos brasileiros, diz pesquisa
Levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e Datafolha revela que 59,6% temem agressões por posições políticas
247 - O medo de sofrer violência por motivação política continua disseminado entre os brasileiros. Pesquisa divulgada neste domingo (10) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em parceria com o Instituto Datafolha, aponta que 59,6% da população afirma ter receio de ser alvo de agressões físicas em razão de posicionamentos políticos ou partidários.
Os dados foram originalmente publicados pelo Correio Braziliense e mostram que, embora o índice tenha recuado em relação ao período eleitoral de 2022 — quando 68% dos entrevistados declararam o mesmo temor —, a sensação de insegurança permanece elevada em diferentes segmentos da sociedade.
O levantamento também identificou diferenças significativas entre homens e mulheres. Entre as mulheres, 65,5% afirmam ter medo de violência política, percentual superior ao registrado entre os homens, de 53,1%. No entanto, quando analisados os relatos de agressões efetivamente sofridas, os homens aparecem mais expostos: 2,9% disseram já ter sido vítimas de violência motivada por questões políticas, contra 1,5% das mulheres.
Diferenças raciais e sociais
A pesquisa revela ainda desigualdades raciais na percepção de insegurança. Entre pessoas negras, 61,4% afirmam temer agressões relacionadas à política. Entre os brancos, o índice é de 56,7%.
Os dados sobre vitimização acompanham essa tendência. Segundo o estudo, 2,6% dos entrevistados negros relataram já ter sofrido algum tipo de agressão por motivação política, enquanto entre os brancos o percentual é de 1,4%.
O recorte econômico também evidencia diferenças importantes. Nas classes D e E, 64,2% dos entrevistados afirmam sentir medo de sofrer violência política. Entre as classes A e B, o índice cai para 54,9%.
Violência afeta mais os mais pobres
A ocorrência de agressões motivadas por divergências políticas também é maior entre os brasileiros de menor renda. Nas classes D e E, 3,5% disseram já ter sido vítimas desse tipo de violência, ante 2,2% entre os mais ricos.
Outro aspecto abordado pela pesquisa é a influência do crime organizado sobre a liberdade de expressão política em determinadas regiões do país. De acordo com o levantamento, 41,2% dos entrevistados afirmam viver em áreas onde há atuação de facções criminosas ou milícias.
Nessas localidades, o receio de represálias interfere diretamente no debate político cotidiano. Segundo o estudo, 59,5% das pessoas disseram evitar conversar sobre política por medo de sofrer algum tipo de retaliação.
Presença de facções impacta debate político
O levantamento aponta ainda que 61,4% dos moradores dessas regiões consideram que facções criminosas ou milícias exercem influência moderada ou forte sobre as regras de convivência nas comunidades.
A taxa de vitimização por violência política também é superior nessas áreas. Entre os entrevistados que vivem em locais com presença do crime organizado, 3,3% afirmaram já ter sofrido agressões relacionadas à política, acima da média nacional de 2,2%.
A pesquisa intitulada “Medo do crime e eleições 2026: os gatilhos da insegurança” foi realizada pelo Instituto Datafolha entre os dias 9 e 10 de março. Ao todo, foram entrevistadas 2.004 pessoas em 137 municípios brasileiros. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
