Malafaia diz que Eduardo Bolsonaro deve ficar calado para ajudar Flávio
Pastor afirma que silêncio de Eduardo ajudaria mais a pré-candidatura de Flávio e critica ataques a Michelle e Nikolas
247 - O pastor Silas Malafaia, aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro, afirmou em entrevista ao Metrópoles que o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro contribuiria mais para uma eventual candidatura presidencial do irmão, Flávio Bolsonaro, se evitasse declarações públicas. Segundo o líder religioso, as recentes falas do filho do ex-presidente prejudicam o próprio campo político ao qual pertence.
"Calado, (Eduardo) vai ajudar muito mais o irmão (Flávio) do que abrindo a boca para falar asneira. Ele calado vai ser um belíssimo cabo eleitoral para o irmão", declarou o pastor.
Na mesma entrevista, Malafaia afirmou que, se "ele continuar assim", o presidente Luiz Inácio Lula da Silva "vai agradecer" e acrescentou que o ex-deputado não pode "querer" determinar a "hora" em que cada aliado deve manifestar apoio. "Tem que respeitar a hora e o espaço de cada um", declarou.
As declarações ocorrem após Eduardo Bolsonaro fazer críticas públicas à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e ao deputado Nikolas Ferreira. Em entrevista ao SBT News, Eduardo cobrou maior engajamento na campanha do irmão à Presidência e afirmou enxergar uma "amnésia" por parte de Nikolas e Michelle.
O parlamentar mineiro respondeu no sábado, ao deixar a Papudinha, após visitar Jair Bolsonaro. "Primeiro, que eu discordo que eu tenha amnésia e que a Michelle tenha amnésia. Eu me lembro muito bem de todos os anos que eu fui atacado injustamente", disse o deputado. "Bater em mim eu já estou acostumado. Já tem mais de três anos que eles estão aí nessa saga. Mas, sabe, deixa a Michelle viver o calvário dela. Eu acho que o Eduardo não está bem. E eu realmente faço questão de não perder meu tempo com essas divergências, porque eu acredito que a gente tem um Brasil pra salvar."
Eduardo Bolsonaro está nos Estados Unidos desde março, quando anunciou que permaneceria no país para, segundo ele, denunciar abusos cometidos pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes. Em dezembro, ele teve o mandato cassado pela Mesa Diretora da Câmara dos Deputados, por decisão administrativa assinada pelo presidente da Casa, Hugo Motta, e outros integrantes da gestão, sem votação em plenário.
A perda do mandato foi declarada com base no artigo 55 da Constituição. Conforme o ato publicado em edição extra do Diário da Câmara, o deputado perdeu o cargo "por ter deixado de comparecer, na presente sessão legislativa, à terça parte das sessões deliberativas da Câmara dos Deputados", hipótese que autoriza a cassação automática por decisão administrativa.