Lindbergh pede que Interpol investigue financiamento de Dark Horse
Deputado solicita cooperação internacional para rastrear origem e destino de valores direcionados ao filme sobre Jair Bolsonaro
247 - O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) encaminhou ofícios à Polícia Federal e à Interpol solicitando a adoção de medidas de cooperação internacional para investigar a origem, a circulação e os beneficiários dos recursos empregados na produção de Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Segundo informações do Metrópoles, o parlamentar pede que autoridades brasileiras compartilhem informações com órgãos de países como Estados Unidos, Holanda e Hungria, além de adotarem medidas para preservar registros financeiros relacionados ao projeto cinematográfico.
No documento, Lindbergh argumenta que reportagens recentes apontam a participação de empresas estrangeiras e de mecanismos financeiros internacionais na estrutura de financiamento do filme. De acordo com o deputado, documentos revelados pela Agência Pública indicariam que o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) foi descrito como “financiador” da produção e que teria havido uma tentativa de contratação de uma estrutura de conta de custódia para movimentar recursos destinados à obra.
Entre os elementos citados pelo parlamentar está uma ordem de pagamento de US$ 57,5 mil para a empresa norte-americana New Path Pictures Inc., sediada na Califórnia. Segundo o ofício, a operação teria sido intermediada pela Stichting Freeway Custody, entidade registrada na Holanda.
Lindbergh sustenta que os envolvidos buscavam uma estrutura financeira capaz de preservar o anonimato dos investidores, o que, em sua avaliação, reforça a necessidade de identificar os beneficiários finais e a procedência dos recursos utilizados na produção audiovisual.
No pedido encaminhado às autoridades, o deputado afirma que os fatos relatados sugerem a existência de uma possível “arquitetura transnacional de movimentação de recursos” envolvendo diferentes países. Para ele, a utilização de empresas, fundações, contratos privados e estruturas de custódia internacionais demanda uma investigação aprofundada sobre a origem e o destino dos valores empregados no projeto.
O parlamentar também menciona reportagens que associam o empresário Daniel Vorcaro ao financiamento do filme. Segundo Lindbergh, notícias publicadas na imprensa indicam que mensagens apontariam uma atuação de Eduardo Bolsonaro na orientação do envio aos Estados Unidos de recursos negociados por Flávio Bolsonaro com Vorcaro. Na avaliação do deputado, isso configuraria uma “aparente contradição” em relação a declarações públicas segundo as quais Eduardo teria apenas cedido os direitos de imagem para a produção.
Entre as providências requeridas, Lindbergh pede que a Polícia Federal verifique a existência de investigações em andamento relacionadas ao caso, acione os mecanismos de cooperação internacional da Interpol e solicite informações sobre empresas e pessoas mencionadas nas reportagens. O deputado também sugere a análise da utilização da ferramenta internacional Silver Notice, destinada à localização de ativos e à obtenção de informações financeiras.
Além disso, o parlamentar requer a preservação de contratos, ordens de pagamento, registros contábeis, mensagens comerciais e demais documentos ligados às operações citadas nos relatos jornalísticos.
Ao justificar a solicitação, Lindbergh afirma que o objetivo é “seguir o caminho do dinheiro”, identificar “a origem real dos valores” e apurar eventual ocultação de financiadores e beneficiários. Segundo ele, medidas urgentes seriam necessárias diante do risco de “apagamento de registros”, “encerramento de contas” e “destruição de documentos eletrônicos” que possam ter relação com os fatos investigados.



