CPI do Crime Organizado vai quebrar sigilo de empresa ligada a Toffoli
Requerimento apresentado por Alessandro Vieira tem apoio de governistas e oposição e pode ser votado no Senado no dia 25
247 - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado Federal deve quebrar o sigilo fiscal da empresa Maridt Participações S.A., que tem como sócio o ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli.
O requerimento foi apresentado pelo relator da CPI, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), e conta com o apoio do presidente do colegiado, Fabiano Contarato (PT-ES). Segundo a reportagem do Metrópoles, tanto parlamentares governistas quanto da oposição concordam com a medida que deve ser aprovada pela comissão.
A CPI investiga possíveis vínculos entre organizações criminosas e estruturas empresariais suspeitas de movimentações financeiras atípicas, com foco em eventuais esquemas de lavagem de dinheiro e fraudes.
A votação do pedido está prevista para o dia 25 de fevereiro. O pedido inclui dados bancários, fiscais e telemáticos
O requerimento encaminhado por Alessandro Vieira solicita informações ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão que costuma produzir relatórios para CPIs do Congresso. O documento pede a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático da empresa, o que pode revelar a origem dos recursos recebidos e os destinatários de transferências financeiras realizadas ao longo dos anos.
Além do Coaf, o senador também solicita informações às empresas de tecnologia Meta, controladora do WhatsApp, e Google, bem como às operadoras telefônicas.
No texto do requerimento, Vieira argumenta que há indícios de irregularidades envolvendo a empresa. “A análise minuciosa das atividades dessa empresa revela uma anomalia econômica e social inequívoca, sugerindo que a pessoa jurídica não passa de uma estrutura de fachada para ocultar o real beneficiário de vultosas transações financeiras”, diz um trecho.
O documento também menciona conexões com outros empreendimentos e operações financeiras. “A necessidade da quebra de sigilo torna-se ainda mais premente quando se observa a conexão direta da Maridt com o resort Tayayá, em Ribeirão Claro (PR), e o fundo de investimentos Arleen, este último ligado diretamente à teia fraudulenta do Banco Master”, afirma o texto, citando o Resort Tayayá e o Banco Master.
A CPI também deve votar convites aos ministros do STF Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Mesmo que aprovados, os convites não obrigam os magistrados a comparecer.
Já as convocações obrigatórias em análise são as do advogado Paulo Humberto Barbosa, atual proprietário do resort Tayayá, e do economista Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro e CEO do Banco Master.


