Condenado por estupro, justiça do DF torna ex-BBB Prior réu por esquema predatório de aposta em bets
o Ministério Público move ação civil pedindo indenização mínima de R$ 5 milhões por danos morais coletivos
247 - A Justiça do Distrito Federal aceitou denúncia do Ministério Público do DF e tornou o ex-participante do Big Brother Brasil, Felipe Prior, réu por suposto envolvimento em um esquema de apostas considerado predatório. A informação foi divulgada pelo portal Metrópoles.
De acordo com a denúncia, Prior é acusado de crimes contra as relações de consumo e de abusar da boa-fé ou da inexperiência de seguidores para induzi-los a realizar apostas prejudiciais, prática prevista no artigo 174 do Código Penal. O processo foi aceito pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), que considerou haver elementos suficientes para a abertura da ação penal.
No documento, o Ministério Público afirma que o influenciador integrou um “esquema de publicidade enganosa e predatória” voltado à promoção de uma plataforma de apostas esportivas. A acusação descreve uma estratégia estruturada para atrair consumidores considerados “hipervulneráveis”, com promessas de ganhos elevados e rápidos.
“A peça acusatória descreve, com suficiente clareza, a exposição do fato criminoso com todas as suas circunstâncias, a qualificação do denunciado, a classificação do crime e o rol de testemunhas, não sendo o caso de rejeição”, afirmou o juiz ao aceitar a denúncia.
Segundo as investigações, Prior mantinha um modelo de remuneração baseado no desempenho dos usuários indicados por ele. O contrato previa pagamento fixo por novos cadastros com depósito inicial, além de uma participação direta nas perdas dos apostadores, o que, na avaliação do MP, configuraria um conflito de interesses.
A promotoria também aponta que o influenciador utilizava sua visibilidade nas redes sociais, incluindo perfis no Instagram e grupos no Telegram com mais de 100 mil inscritos, para divulgar promessas irreais de lucro. Entre elas, a chamada “alavancagem 10x”, que sugeria ganhos de até R$ 5 mil em 24 horas a partir de um investimento inicial de R$ 20.
Outro ponto destacado é a oferta de uma suposta garantia de devolução do valor investido em caso de prejuízo, conhecida como “red”, o que, segundo o MP, criava uma falsa sensação de segurança em uma atividade de natureza aleatória.
Para o promotor de Justiça Paulo Roberto Binicheski, o modelo beneficiava diretamente o influenciador à medida que seus seguidores perdiam dinheiro. A investigação compara a dinâmica a um esquema do tipo Ponzi, caracterizado pela promessa de altos retornos com baixo risco, sustentado por novos participantes.
Diante da gravidade das acusações e do alcance das publicações, o Ministério Público solicitou à Justiça o pagamento de R$ 1 milhão por danos morais coletivos, além da responsabilização penal do ex-BBB.
Paralelamente, a Justiça já havia determinado, em decisão da 14ª Vara Cível de Brasília, a remoção de conteúdos publicados por Prior que associavam apostas a ganhos garantidos. A medida também proibiu a divulgação de mensagens que indiquem lucro certo ou ausência de risco, sob pena de multa diária de R$ 10 mil, limitada inicialmente a R$ 100 mil.
Em outra frente judicial, o Ministério Público move ação civil pedindo indenização mínima de R$ 5 milhões por danos morais coletivos contra o influenciador e a empresa envolvida na exploração da plataforma de apostas.
Além dessas investigações, Felipe Prior já enfrentou condenação na Justiça por outro caso. Em janeiro de 2026, foi mantida a condenação do ex-BBB por estupro em decisão judicial, conforme noticiado pelo portal F5, da Folha de S.Paulo.
Até a última atualização da reportagem, a defesa de Felipe Prior não havia se manifestado sobre a nova denúncia. O espaço segue aberto para posicionamento.
