Alckmin diz que decisão sobre vice será nas convenções
Vice-presidente afirma que papel na chapa de 2026 será definido em agosto e comenta debate interno no PT e medidas do governo para conter alta do diesel
247 - O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) afirmou nesta segunda-feira (30) que sua eventual permanência como candidato à vice-presidência em 2026 ainda não está definida e dependerá das convenções partidárias previstas para agosto. As declarações foram feitas em entrevista a jornalistas e divulgadas pela Folha de S.Paulo.
Ao ser questionado sobre a possibilidade de disputar novamente o cargo, Alckmin respondeu: "A gente não escolhe como servir na vida pública. A vida pública é que nos escolhe como poder servir".
A discussão sobre a composição da chapa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não é consenso dentro do partido. Parte da sigla defende a ampliação da aliança com partidos do centrão, o que poderia implicar a substituição de Alckmin por um nome dessas legendas.
Nesse contexto, o ministro da Educação, Camilo Santana (PT), já havia defendido, em fevereiro, a indicação de um nome do MDB para a vice. Mais recentemente, no domingo (29), o presidente do PT em São Paulo, Kiko Celeguim, sugeriu que o posto fosse ocupado por Gilberto Kassab, atual presidente do PSD.
À Folha, Celeguim afirmou: "Para ganhar a eleição, precisamos de Kassab e Geraldo [Alckmin] nas posições corretas", e completou: "Kassab na vice de Lula e Geraldo em São Paulo".
Por outro lado, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, tem sinalizado apoio à permanência de Alckmin na chapa presidencial. Segundo ele, as alianças com PSD e MDB devem ocorrer nos estados, e não necessariamente em nível nacional: "Penso que as alianças com o PSD e MDB serão construídas nos estados. Não creio em aliança nacional com esses partidos, temos que respeitar as contradições".
Subsídio ao diesel pode ser ampliado
Além do cenário político, Alckmin comentou medidas econômicas adotadas pelo governo diante da alta nos preços dos combustíveis, impulsionada pela guerra no Irã. Durante evento no sábado (28), ele afirmou que o conflito pode durar cerca de 60 dias, mas admitiu a possibilidade de extensão dos subsídios ao diesel.
"Tudo isso é transitório. Esperamos que se resolva em 60 dias essa questão da guerra, que é uma tragédia", disse. "Se precisar até pode prorrogar."
No dia 12, o governo federal editou uma medida provisória que zera impostos federais sobre o diesel, cria subvenções para produtores e importadores e estabelece imposto sobre a exportação de petróleo. A iniciativa busca conter os impactos da alta internacional do petróleo sobre os preços internos.
Segundo estimativas do governo, as medidas podem reduzir em até R$ 0,64 o preço do litro do diesel nas bombas.
Nesta segunda-feira, durante evento em Manaus, Alckmin também defendeu a adesão dos estados à proposta de zerar o ICMS sobre o combustível, com divisão de custos entre União e entes federativos. "Eu tenho confiança de que os estados venham participar, porque nós precisamos garantir que o preço não suba e, principalmente, garantir abastecimento", afirmou.
O vice-presidente reforçou que as medidas são temporárias e devem ser revistas conforme a oscilação do mercado internacional. "Na hora que cair o preço do barril do petróleo, óbvio que cai essa questão [isenções e subsídio], porque ela é transitória", concluiu.
