Sem munição, Folha volta a atacar a idade de Lula
“A grande imprensa está tomada por colunistas de direita de mais de 70 anos, mas dedicados a depreciar a velhice alheia”, escreve Moisés Mendes
A Folha traz mais uma manchete etarista no domingo. Com o esgotamento das pautas fiscalistas e falsamente moralistas usadas para proteger a direita, o jornal que publica textos em latim ataca de novo a idade de Lula:
“Fadiga eleitoral desafia Lula, 80, terceiro governante há mais tempo no poder no Brasil”.
As palavras foram bem escolhidas. Fadiga, para associar à velhice. A idade de Lula, solta, entre vírgulas, como se fosse uma tatuagem, e a referência ao tempo e à sua relação com o poder. Não é novidade, é apenas a retomada de uma estratégia manjada.
Os jornalões estão tomados de colunistas etaristas. Mas só se o alvo for Lula ou alguém de esquerda. E são colunistas com mais de 70 anos.
Todos os jornalistas listados abaixo já fizeram comentários etaristas, alguns dirigindo-se diretamente a Lula. Vejam suas idades:
Elio Gaspari tem 82 anos. Alexandre Garcia está com 86; William Waack, 74 anos; Merval Pereira, 77; Augusto Nunes, também 77; Eliane Cantanhêde, 75; Dora Kramer, 72 anos; e Carlos Alberto Sardenberg, 80 anos.
William Waack disse em comentário na CNN em 4 de junho do ano passado:
"O envelhecimento mais preocupante para a sobrevivência política de Lula é o das ideias, propostas políticas, métodos, estratégias e táticas eleitorais de antes, que não parecem estar funcionando mais".
JR Guzzo, que era o colunista preferido dos fascistas, deixou de ser etarista porque morreu no ano passado, aos 82 anos.
O Estadão deu em chamada de capa de 9 de março do ano passado:
“Economia não é suficiente para explicar colapso de popularidade: Lula e PT envelheceram”.
Dora Kramer escreveu na Folha em 13 de dezembro de 2024:
“Como se observa nas diferenças apontadas entre o presidente de agora e o de duas décadas atrás, isso não é possível de ser feito aos 79 anos na mesma intensidade dos 57, quando foi eleito a primeira vez. Ou aos 73, quando enfrentou 580 dias de perda de liberdade, mortes na família e a tarefa de reerguer um partido abalado por escândalos de corrupção”.
Esse trecho é de coluna de Eliane Cantanhêde, no Estadão, em 12 de dezembro de 2014, por coincidência um dia antes da publicação da coluna de Dora Kramer, e com o mesmo tema:
“Não adianta tampar o sol com a peneira: o presidente Lula é um homem forte e saudável para os seus 79 anos, mas não um político com energia e vitalidade suficientes para disputar um quarto mandato em 2026”.
Até Ruy Castro, que tem 78 anos e se mantém ativo na Folha, já insinuou que Lula é velho demais para pensar em reeleição.
Em sua coluna de 3 de julho de 2024, Castro escreveu:
“Biden hoje, Lula amanhã” — esse era o título do texto. “O risco de um candidato idoso enfrentar um pavão da extrema direita também pode se materializar aqui”.
Aqui está a crueldade:
“Lula, se reeleito em 2026, assumirá com 81 e terminará, em 2030, com 85. Nesta fase da vida, um ano de diferença não faz de Lula um garoto diante de Biden. O risco não está só em como eles se apresentam hoje, embora isso já pareça mortal para Biden, mas em como estarão, física e mentalmente, ao fim de um segundo mandato”.
A comparação de Lula com Biden já era, lá em 2024, completamente sem sentido, pelo que se sabe do histórico de cada um.
O jornalista deveria ser mais respeitoso. Lula enfrenta o fascismo e sobe escadas reais e simbólicas que muita gente jovem e muito imortal não consegue subir.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.




