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Adão Pretto Filho

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Se quisermos acabar com a violência contra a mulher, esse assunto precisa estar em sala de aula

"Não se trata de ideologia. Trata-se de responsabilidade. Trata-se de reconhecer que o machismo estrutural é um problema social"

Brasília (DF) - 07/12/2025 - O Levante Mulheres Vivas realiza ato na área central de Brasília para denunciar o feminicídio e todas formas de violência contra mulheres (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O Rio Grande do Sul não pode se acostumar com a dor. Não pode normalizar manchetes que anunciam mais um feminicídio, mais uma mulher agredida, mais uma família destruída. Cada crime é o resultado extremo de uma cultura que, por muito tempo, tolerou o machismo como algo “natural”.

A violência contra a mulher não começa com o soco, nem com a ameaça. Ela começa na formação. Começa na ideia de que o homem manda. De que o ciúme é prova de amor. De que a mulher deve se calar. Quando o crime acontece, ele já foi precedido por uma sequência de violências simbólicas e psicológicas que a sociedade relativizou.

É por isso que apresentei um projeto de lei para incluir o estudo da Lei Maria da Penha no currículo das escolas estaduais do nosso estado. Não como formalidade, mas como instrumento real de transformação cultural.

A Lei Maria da Penha é uma das legislações mais avançadas do mundo no enfrentamento à violência doméstica e familiar. Ela garante medidas protetivas, define mecanismos de responsabilização e estrutura uma rede de apoio às vítimas. Ainda assim, seguimos atuando majoritariamente depois que a violência já ocorreu. Combatemos o crime consumado, quando a dor já se instalou — e, muitas vezes, quando a vida já foi perdida.

O governo federal anunciou que incluirá o tema da violência contra a mulher no currículo escolar em âmbito nacional. É uma decisão acertada, que aponta para o caminho da prevenção. Antes mesmo desse anúncio, tive a oportunidade de dialogar sobre essa necessidade com as ministras das Mulheres, tanto com Márcia Lopes quanto com sua antecessora Cida Gonçalves. Em ambas as conversas, reforcei a necessidade de uma mudança estrutural que o Brasil precisa passar, e a educação é o melhor caminho para isso. 

Porque enfrentar a violência apenas no campo policial é enxugar gelo. Precisamos mexer na base cultural que sustenta esse problema. 

Incluir o debate sobre a violência contra a mulher na escola significa ensinar, desde cedo, que respeito não é concessão. Que mulher não é propriedade. Que relacionamento não combina com controle, medo ou agressão. Significa formar meninos conscientes, capazes de romper com padrões tóxicos de masculinidade. E meninas que conheçam seus direitos, reconheçam sinais de abuso e saibam que não estão sozinhas.

Como coordenador da Frente Parlamentar Pelo Fim da Violência Contra a Mulher, acompanho de perto os números alarmantes do nosso estado. Cada estatística tem nome, rosto e história. Não podemos aceitar que a resposta do poder público seja apenas repressiva. Ela precisa ser também pedagógica.

Educação transforma mentalidades. E mudança de mentalidade salva vidas.

Não se trata de ideologia. Trata-se de responsabilidade. Trata-se de reconhecer que o machismo estrutural é um problema social e que sua superação exige política pública consistente, articulada entre União, estados e municípios.

Se quisermos, de fato, reduzir os índices de violência e construir um estado mais justo, precisamos ter coragem de enfrentar o problema na origem. E a origem está na formação.

Se quisermos acabar com a violência contra a mulher, esse assunto precisa estar, definitivamente, em sala de aula.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.