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Heraldo Campos

Graduado em geologia (1976) pelo Instituto de Geociências e Ciências Exatas (UNESP), mestre em Geologia Geral e de Aplicação (1987) e doutor em Ciências (1993) pela USP. Pós-doutor (2000) pela Universidad Politécnica de Cataluña - UPC e pós-doutorado (2010) pela Escola de Engenharia de São Carlos (USP)

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Riscos geológicos em Juiz de Fora

O risco geológico é uma situação de perigo, perda ou dano ao homem e suas propriedades

Riscos geológicos em Juiz de Fora (Foto: Agência Brasil)

O risco geológico é uma situação de perigo, perda ou dano ao homem e suas propriedades, em razão da possibilidade de ocorrência de processo geológico induzido ou não. No livro “Geologia de Engenharia” [1] “os instrumentos cartográficos que apresentam a distribuição, o tipo, e o grau dos riscos geológicos, visando a definição de medidas de prevenção de acidentes, são conhecidas como cartas de risco geológico”. Estas cartas podem apresentar a distribuição do risco numa determinada área ocupada, auxiliar no planejamento de infraestrutura ou atender os usuários que trabalham com a redução do risco em determinadas áreas.

Ainda, conforme as referências desse livro, as principais características das cartas de risco geológico são: a) a rapidez de execução, devido à dinâmica da ocupação e do risco, as cartas podem ser produzidas em curto prazo e representam o risco presente no momento da sua elaboração; b) o apoio aos planejadores, por meio do registro e da caracterização das áreas que estão sujeitas aos processos geológicos causadores do risco; c) o baixo custo e simplicidade de produção, pois os métodos de preparação derivam ou estão afeitos aos conceitos básicos da geologia e d) a flexibilidade na apresentação das informações consideradas importantes, uma vez que as cartas são produtos sempre voltados para a necessidade do usuário potencial.

Assim, uma carta de risco geológico tem como função básica a transmissão de informações a serem usadas nas mais diferentes situações da engenharia ou do planejamento, como também da fiscalização, gerenciamento e de planos de defesa civil. A etapa de identificação dos riscos geológicos envolve a definição e a caracterização dos condicionantes e dos agentes deflagradores, bem como a sua área de influência, além dos processos geológicos que determinam as situações de risco. 

No “Diagnóstico da população em áreas de risco geológico, Juiz de Fora, MG”, elaborado pelo Serviço Geológico do Brasil – CPRM e publicado no ano de 2021 [2], “A interseção entre as 80 áreas de risco geológico mapeadas em Juiz de Fora/MG e a área urbanizada localizada nos 695 setores censitários apresentados pelo Censo Demográfico 2010 resultou em 304 polígonos, a partir dos quais foi possível estimar que cerca de 16.436 domicílios particulares e coletivos estão localizados em áreas de risco geológico alto ou muito alto.” 

Segundo esse estudo “Quanto aos processos geológicos relacionados às áreas de risco, registra-se que grande parte dos domicílios se encontram em áreas sujeitas a sofrerem perdas ou danos decorrentes de instabilização de encostas a partir da deflagração de deslizamentos (99,78%). De maneira menos frequente, também foram identificados domicílios em áreas de risco a queda de blocos (0,16%), e inundação (0,05%).” 

Recentemente a tragédia que vitimou várias pessoas em Juiz de Fora, por causa das chuvas intensas nesse mês de fevereiro de 2026, para Marcelo Seluchi, coordenador geral de operações e modelagem do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN) “a cidade é top 10 em alertas e isso tem relação com sua formação. Ela tem topografia 'equivalente à da região serrana do Rio de Janeiro, onde fica Petrópolis, que também conta muitos alertas', além de ser uma cidade grande e com muita gente morando próximo a encostas.” [3]  

Para concluir, ressalta-se a importância técnica das cartas de risco geológico com o objetivo de  dotar as prefeituras municipais de instrumentos cartográficos para contribuir com as políticas públicas voltadas à prevenção e a resposta aos desastres “naturais” como os que vem ocorrendo em Juiz de Fora e em outros municípios brasileiros. Em tempo, com tudo isso em mãos, sabe-se que é uma dificuldade a remoção de todas as moradias em áreas de risco.

Fontes

[1] “Geologia de Engenharia”. Livro publicado pela Associação Brasileira de Geologia de Engenharia (ABGE) em 1998. Editores: Antonio Manoel dos Santos Oliveira e Sérgio Nertan Alves de Brito. 

[2] “Diagnóstico da população em áreas de risco geológico, Juiz de Fora, MG”. Publicação do Serviço Geológico do Brasil – CPRM em 2021. Autores: Julio Cesar Lana e Maria Carolina Rodrigues Marcussi.   

[3] “Por que Juiz de Fora é 'região sensível' e alvo de alertas de desastre?”Reportagem do UOL de 24/02/2026. Declaração de  Marcelo Seluchi do CEMADEN.

https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2026/02/24/juiz-de-fora-alertas-cemaden.htm

*Heraldo Campos é geólogo (Instituto de Geociências e Ciências Exatas da UNESP, 1976), mestre em Geologia Geral e de Aplicação e doutor em Ciências (Instituto de Geociências da USP, 1987 e 1993) e pós-doutor em hidrogeologia (Universidad Politécnica de Cataluña e Escola de Engenharia de São Carlos da USP, 2000 e 2010).

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.