O sistema público de seleção de docentes universitarios
O certo é que o sistema esgotou-se
Como alvo de um desses concursos "orientados" tenho clareza que o sistema de seleção/concursos públicos das universidades exauriu-se. Questões de "escola" teórica, orientação ideológica e mesmo de simpatias pessoais minaram a impessoalidade weberiana, resultando na formação de um "mandarinato" universitário brasileiro. O resultado é fossilização do topo do sistema e manutenção do status quo da pesquisa. Por vezes a orientação de pós-graduação torna-se a formação de uma clientela, que por vezes resulta em verdadeiro nepotismo e patrimonialismo, envolvendo bolsas e estágios no exterior, às custas do serviço público.
Uma medida paliativa, como no caso do sistema federal alemão, é a formação de bancas inteiramente externas, inclusive de professores estrangeiros, conforme a área de trabalho, e que não se reúnem para o evento. Os professores, todos seniores e especialistas, dão pareceres circunstânciados sobre um "paper" ad hoc e o curriculum, "Lebenslauf", devidamente comprovado. Não há reuniões ou confabulaçōes, e cada membro da banca, que não deve ter convívio acadêmico ou pessoal com o candidato, desconhece o conteúdo dos demais "referees". Qualquer ultrapassagem das regras é considerada fraude. Em alguns casos de "Full Professor", há uma Aula Magna na presença da banca e do público, que pode também arguir o candidato.
Claro que isso é na Alemanha, devemos examinar o que nos convém. O certo é que o sistema esgotou-se.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

