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Oliveiros Marques

Sociólogo pela Universidade de Brasília, onde também cursou disciplinas do mestrado em Sociologia Política. Atuou por 18 anos como assessor junto ao Congresso Nacional. Publicitário e associado ao Clube Associativo dos Profissionais de Marketing Político (CAMP), realizou dezenas de campanhas no Brasil para prefeituras, governos estaduais, Senado e casas legislativas

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O Novo que não é novo

Novo desautoriza Zema após crítica a Flávio Bolsonaro e expõe contradições entre discurso ético, liberdade de expressão e alianças eleitorais

Romeu Zema (Foto: Marina Ramos/Câmara dos Deputados)
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Que Romeu Zema não é nenhum santo, isso já sabemos. Sua trajetória em Minas Gerais está longe de ser o modelo de gestão impecável que o Partido Novo gosta de projetar nas suas peças de publicidade. Mas esse não é o ponto. O ponto é outro, e é muito mais sério: quando dirigentes partidários constroem um partido sobre pilares declarados — liberdade de expressão, combate à corrupção e coerência ética — esses pilares não podem ser removidos toda vez que o vento eleitoral sopra em direção contrária. Discurso que não pauta a prática não é princípio. É propaganda.

E foi exatamente o que os diretórios do Novo no Paraná e em Santa Catarina entregaram ao Brasil nas últimas semanas.

O gatilho foi simples. Romeu Zema, pré-candidato à Presidência pelo próprio Partido Novo, publicou um vídeo afirmando que ouvir Flávio Bolsonaro cobrando R$ 163 milhões do dono do Banco Master — um banqueiro preso, usando tornozeleira eletrônica — é "imperdoável".

Difícil discordar. A autenticidade do áudio foi confirmada pelo próprio Flávio Bolsonaro. Os fatos estavam postos. E Zema fez exatamente o que se espera de um político que defende seus princípios publicamente: usou sua liberdade de expressão para se posicionar sobre um caso concreto de suspeita de irregularidade envolvendo um adversário político.

Foi aí que o Partido Novo mostrou do que é feito quando os interesses batem à porta.

O diretório paranaense — liderado, com deliciosa ironia, pelo ex-procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol — correu para apagar o incêndio. Em nota, classificou o vídeo de Zema como "precipitado" e informou que "gerou ruídos desnecessários em alianças já estabelecidas". A aliança em questão é com o PL de Flávio Bolsonaro, partido que sustenta a candidatura do inelegível Dallagnol ao Senado. A balança da ética, descobriu-se, tem um prato reservado para os princípios e outro para as conveniências. E as conveniências pesam mais.

Santa Catarina foi além. O diretório estadual não apenas desautorizou Zema como foi a ponto de excluí-lo de um evento do próprio partido no estado. O candidato presidencial da legenda, impedido de aparecer em atividade da sua própria sigla por ter dito o que o estatuto do Novo supostamente obriga seus membros a dizer. A liberdade de expressão, valor que o Novo defende com megafone quando o alvo é o STF ou a regulação das redes sociais, ficou guardada na gaveta quando o alvo era um aliado eleitoralmente útil.

A cena tem uma geometria política que merece ser contemplada com calma. O Partido Novo nasceu prometendo ser diferente. Sem fisiologismo. Sem trocas de apoio por silêncio. Sem o velho jogo de fechar os olhos para irregularidades quando o irregular é do mesmo time. Seus filiados pagam mensalidade. O partido recusa fundo eleitoral público. O estatuto prevê expulsão de quem vota contra a linha partidária sem justificativa.

Mas, ao que parece, o estatuto não prevê o que fazer quando a linha partidária é inconveniente para as alianças locais. Nesse caso, descobre-se que a solução é outra: desautorizar o candidato presidencial, preservar o palanque e torcer para que o eleitor não perceba a contradição.

O eleitor percebeu.

Não é pequena a ironia de ver os herdeiros políticos da Lava Jato — Dallagnol no Paraná, os dirigentes catarinenses — silenciando ou punindo quem cobrou explicações sobre dinheiro pedido por um senador a um banqueiro preso. A mesma lógica que Moro e Dallagnol aplicaram durante anos para investigar suspeitas muito mais frágeis do que essa foi abandonada quando o suspeito passou a ser eleitoralmente útil.

No fim, o que os diretórios do Novo no Paraná e em Santa Catarina entregaram não foi uma nota política. Foi um espelho. E o reflexo mostrou que a balança da liberdade de expressão, da fidelidade partidária e do combate à corrupção, para esses dirigentes, é calibrada caso a caso — de acordo com os interesses mesquinhos e pequeninos de cada arranjo eleitoral.

O Novo, afinal, não é assim tão novo.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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