O mercado não gosta de Lula
Não gostam porque o grande empresariado é neoliberal. Aderiram à visão do mundo e da sociedade em que tudo tem preço, tudo se vende, tudo se compra
O mercado – isto é, os grandes empresários, porque não existe o mercado como existência autônoma –, não gosta do Lula. Quando, depois da lambança do Flávio, o Lula dispara nas pesquisas, o mercado vai para baixo. Em vez de gostar de uma situação mais previsível, com a vitória do Lula, não gostam. Por quê?
Não gostam porque o grande empresariado é neoliberal. Aderiram à visão do mundo e da sociedade em que tudo tem preço, tudo se vende, tudo se compra, tudo é mercadoria. Às custas dos direitos das pessoas, do reconhecimento dos direitos sociais como eixo de uma visão que não é do agrado do grande empresariado.
Porque, apesar de todo o desgaste do Flávio, o preferem como candidato. Preferem um político que faz as coisas da fábrica de chocolate, da compra da mansão em Brasília, da condecoração de milicianos, do emprego de milicianos. Agora, vem o patrocínio master dessa história do filme do pai e da visita ao banqueiro, difícil de explicar.
A direita brasileira sempre foi bolsonarista. E quando, preso o Jair Bolsonaro por comprometimento claro com uma tentativa de golpe, reforçou que o Flávio deveria ser o candidato, negando qualquer alternativa, fosse Tarcísio ou a ex-primeira-dama, o Flávio terá que ir à campanha na defensiva, se explicando.
E Lula defende e coloca em prática uma política contrária aos interesses do grande empresariado. Lula prioriza as políticas sociais, a afirmação dos direitos das pessoas, o fortalecimento dos estados. Lula representa o antineoliberalismo.
Por isso a direita, o "mercado", o grande empresariado não gostam do Lula. Não se conformam com a provável reeleição do Lula. Tratam de confirmar o controle do Congresso, para ter ainda o poder de veto sobre as indicações do STF, para brecar iniciativas do governo. É o objetivo da direita nas condições atuais.
O que será do Brasil com a provável reeleição do Lula? Pode-se esperar uma consolidação das políticas antineoliberais, da consolidação das políticas sociais, como forma de combater o principal problema do Brasil ainda, as desigualdades sociais.
Conforme a economia avança bem, coloca-se para o próximo mandato do Lula a necessidade premente da resolução das taxas de juros altas. Portanto, a questão de mudar as políticas do Banco Central. O que contraria fortemente os interesses do grande capital especulativo, que segue sendo predominante na economia e que vive das altas taxas de juros.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.




