O mantra da mentira política
É interessante a forma como os jornalões lidam com alegria a possibilidade da derrota de Lula, mesmo que seja para a volta de golpistas ao poder
Os repórteres e comentaristas da Globo News se contorcem para conseguir juntar duas informações antagônicas. De um lado, os dados recentes mostram que a economia melhorou e está consolidada e até sofreu pouco com as insanas guerras no Oriente Médio. Mas, de outro, pesquisa de opinião revela que a percepção por parte dos eleitores em relação à economia piorou. Como lidar com a contradição? Eles tergiversam, escamoteiam a realidade. Enfim, não dizem o óbvio: há uma contradição aqui reverberada pelos próprios meios de comunicação. Adicionalmente, pesquisas eleitorais começam a consolidar Flávio Bolsonaro como o herdeiro da extrema-direita com intenção de voto semelhante aos candidatos antes testados. Lembremos que até o momento não surgiu alguém que possa se dizer da chamada “direita democrática” ou da fictícia “terceira via”.
As pesquisas eleitorais, por mais idôneas que sejam, são também, de certa forma, forçadas a impor ao eleitor uma descrença com a situação melhor em que estamos. Não sei os detalhes do questionário, mas se é perguntada a percepção da economia antes de saber sobre a avaliação do governo, incorre-se em um viés tendencioso de ser mais negativa a resposta. Da mesma forma, o viés negativo acontece se a pergunta sobre a intenção de voto vier após as considerações econômicas. O respondente tenderá a dizer que tudo está ruim e, portanto, não votará no incumbente, situação recorrente em que transferimos para o ocupante atual da Presidência todas as mazelas do país. Vejam que até Flávio Bolsonaro ousou atribuir a fila do osso e da fome ao governo Lula, fato que notoriamente aconteceu no trágico governo de seu pai. A população acaba por ter memória curta que precisa ser constantemente reavivada.
Mesmo assim, Lula não vai tão mal. Considerando que a oposição bolsonarista está em campanha desde sempre e o presidente Lula nem pode se lançar candidato ainda, até que os números do momento estão muito bons para o petista. Mas é interessante a forma como os jornalões lidam com alegria a possibilidade da derrota de Lula, mesmo que seja para a volta de golpistas ao poder. Isso ficou explícito, por exemplo, no editorial da Folha de S. Paulo “Notícias inquietantes para Lula no Datafolha”, de 12/4. Esse tipo de comentário o jornal não publica, por óbvio.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.



