O diálogo China-EUA é fundamental para a estabilidade global
Encontro entre Xi Jinping e Donald Trump pode fomentar a cooperação para enfrentar desafios comuns e abrir caminho para maior equilíbrio internacional
Por José Reinaldo Carvalho - A visita de Estado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à China, programada para ocorrer entre os dias 13 e 15 de maio, a convite do presidente chinês, Xi Jinping, recoloca no centro da política internacional a importância do diálogo China-EUA para a estabilidade global, em um momento de turbulência internacional, tensões comerciais, disputas estratégicas e incertezas econômicas.
O encontro anunciado por Pequim reveste-se de grande importância para o fortalecimento das relações bilaterais, o enfrentamento de desafios comuns e a facilitação da administração das divergências existentes entre as duas partes, além de ter grande alcance geopolítico e estar destinado a repercutir na evolução do quadro mundial.
Terão relevância as trocas de opiniões aprofundadas sobre questões importantes relativas às relações China-EUA e à paz e ao desenvolvimento mundiais. Quanto aos temas econômicos e comerciais de interesse mútuo, as consultas serão orientadas pelo consenso alcançado entre os dois líderes no encontro em Busan, na Coreia do Sul, em outubro do ano passado e em telefonemas anteriores.
Quando as duas maiores economias do mundo retomam a interlocução direta no mais alto nível, não apenas seus mercados acompanham cada gesto; governos, empresas e organismos internacionais também ajustam expectativas diante de uma relação que influencia cadeias produtivas, fluxos comerciais, tecnologia, segurança e o próprio equilíbrio da ordem mundial.
A diplomacia entre grandes potências tem peso especial justamente porque seus efeitos ultrapassam fronteiras. A China e os Estados Unidos concentram capacidades econômicas, industriais, tecnológicas e militares que tornam qualquer escalada de tensão um fator de instabilidade global. Por isso, a disposição de manter canais de diálogo abertos não deve ser vista como gesto protocolar, mas como instrumento indispensável para evitar que divergências legítimas se convertam em confrontação permanente.
Nesse contexto, a China aparece como ator central e incontornável. Ao receber Trump em visita de Estado, o Presidente Xi Jinping reafirma o papel de seu país como potência relevante na construção de uma agenda internacional baseada em estabilidade, previsibilidade e cooperação. A posição chinesa, expressa em comunicados recentes, tem insistido em princípios como respeito mútuo, coexistência pacífica e benefício recíproco, conceitos que ganham força em um cenário global marcado por fragmentação, disputas tarifárias e pressões sobre o comércio internacional.
A relevância mundial da China não se resume ao tamanho de sua economia. O país ocupa posição decisiva nas cadeias globais de produção, no comércio internacional, na inovação tecnológica e na articulação diplomática com diferentes regiões do mundo. Por isso, qualquer tentativa de estabilizar a relação sino-americana passa necessariamente pelo reconhecimento de que Pequim não é apenas parte interessada, mas protagonista de uma nova configuração internacional.
A experiência recente mostra que a confrontação entre a China e os Estados Unidos produz custos para ambos os lados e amplia inseguranças para o restante do mundo. Já a cooperação, mesmo quando limitada e difícil, contribui para preservar algum grau de racionalidade nas relações internacionais. Em um sistema global interdependente, nenhuma grande potência consegue resolver sozinha os desafios econômicos, comerciais e geopolíticos que se acumulam.
É por isso que a diplomacia de alto nível entre grandes potências continua sendo insubstituível. Reuniões entre chefes de Estado podem abrir caminhos para destravar negociações e sinalizar compromisso com a estabilidade. Em tempos de volatilidade, esses gestos têm valor estratégico.
A visita de Trump à China desperta grande atenção mundial porque dela podem sair sinais importantes sobre o futuro da relação entre Pequim e Washington. Se o encontro contribuir para reduzir incertezas, fortalecer consultas econômicas e reafirmar a necessidade de respeito mútuo, já terá cumprido papel relevante. Para o mundo, a estabilidade entre China e Estados Unidos não é apenas uma questão bilateral: é um elemento essencial para a paz, o equilíbrio e a previsibilidade da ordem internacional.
Um parâmetro adequado para avaliar a viabilidade desse novo modelo de relações internacionais está nas relações entre grandes potências. Em vez de evitar ou negar a existência de disputas entre os principais países, essa nova abordagem busca afirmar que é possível estabelecer uma estrutura de relações entre grandes potências baseada na estabilidade geral e no desenvolvimento equilibrado, especialmente entre a China e os Estados Unidos. A condição indispensável para isto é que os Estados Unidos abandonem a lógica da contenção, da hegemonia e do jogo de soma zero.
A proposta de uma nova forma de relações internacionais parte da ideia de que China e Estados Unidos podem conviver como grandes potências se adotarem princípios como não confronto, respeito mútuo e cooperação.
É importante que a ascensão da China não seja vista como ameaça à ordem internacional ou como uma movimentação contrária aos interesses nacionais dos Estados Unidos ou como manifestação de ambições hegemônicas. O desenvolvimento impetuoso da China e sua ascensão ao primeiro plano da vida internacional são um direito inalienável do povo chinês e parte inseparável da revitalização da nação chinesa. Do ponto de vista internacional, a incontornável resultante é a ordem internacional multipolar, o soerguimento da nova governança global e o reconhecimento por todos os atores relevantes da vida política mundial de que há espaço para mais de um centro de poder.
Artigo publicado originalmente na página da Rádio Internacional da China
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.




